Vaginose bacteriana: tratamento com metronidazol, critérios de Amsel e gestação
Resposta rápida
No tratamento da vaginose bacteriana, o UBS de Bolso prescreve metronidazol 250 mg, 02 comprimidos via oral de 12 em 12 horas por 7 dias, evitando álcool, ou clindamicina 300 mg de 12 em 12 horas por 7 dias. O diagnóstico clínico usa 3 dos 4 critérios de Amsel. Parceiros só são tratados se sintomáticos.
Corrimento com odor de peixe, pouco prurido e pouca inflamação: é por esse padrão que o guia orienta suspeitar de vaginose bacteriana, lembrando do diferencial com candidíase e tricomoníase quando há prurido intenso.
O UBS de Bolso descreve o diagnóstico em cinco passos e dá duas opções orais. O Guia de Pré-Natal ajusta a conduta para a gestante, e o esquema de antibióticos por sistema da plataforma acrescenta a via vaginal e a orientação sobre parceiros.
Como fazer o diagnóstico na UBS
1. Suspeite pela clínica
- Corrimento branco-acinzentado, fino e homogêneo.
- Odor forte, fétido, tipo "peixe", muitas vezes mais evidente após a relação sexual ou durante a menstruação.
- Geralmente pouco prurido e pouca inflamação. Se houver prurido intenso, o guia orienta pensar mais em candidíase ou tricomoníase.
2. Faça o exame especular
Pode mostrar corrimento fino e homogêneo, aderido às paredes vaginais, sem hiperemia importante, com colo geralmente sem sinais marcantes de inflamação.
3. Meça o pH vaginal
Na vaginose bacteriana, o pH é > 4,5.
4. Faça o teste das aminas, se disponível
Adicione KOH a 10% à secreção vaginal. O odor de peixe após o KOH indica teste das aminas (Whiff test) positivo, pela liberação de aminas voláteis produzidas pelas bactérias anaeróbias.
5. Microscopia, se disponível
Procure as clue cells, ou células-guia: células epiteliais vaginais cobertas por bactérias, com bordas borradas ou granulosas.
Critérios de Amsel
O diagnóstico clínico é feito com 3 dos 4 critérios:
- Corrimento branco-acinzentado, fino e homogêneo.
- pH vaginal > 4,5.
- Teste das aminas positivo.
- Clue cells na microscopia.
E se a UBS não tiver microscópio? O guia responde: corrimento típico, pH > 4,5 e odor característico ou teste das aminas positivo já dão forte sustentação ao diagnóstico clínico.
Vaginose bacteriana: tratamento no UBS de Bolso
A prescrição do UBS de Bolso tem duas opções orais:
Uso oral
- Metronidazol 250 mg/cp — 28 comprimidos. Tomar 02 comprimidos, via oral, de 12 em 12 horas por 7 dias. Considerar 14 dias se recorrência. Evitar álcool. Ou:
- Clindamicina 300 mg/cp — tomar 01 comprimido, via oral, de 12 em 12 horas por 7 dias.
O esquema de antibióticos por sistema da plataforma organiza as opções em ordem de preferência e inclui a via vaginal:
| Ordem | Esquema | Duração |
|---|---|---|
| 1ª opção (preferida) | Metronidazol 500 mg, VO, de 12 em 12 horas | 7 dias |
| 2ª opção | Metronidazol gel 100 mg/g, 1 aplicação vaginal | 5 dias |
| 3ª opção | Clindamicina 300 mg, VO, de 12 em 12 horas | 7 dias |
Os 500 mg da primeira opção correspondem aos 02 comprimidos de 250 mg da receita do UBS de Bolso. É o mesmo esquema, escrito de duas formas.
Precisa tratar o parceiro?
Segundo o esquema de antibióticos por sistema, os parceiros não precisam de tratamento, exceto se sintomáticos.
Vaginose bacteriana na gestação
O Guia de Pré-Natal classifica o metronidazol como categoria B de segurança na gestação e registra que muitos protocolos liberam o uso após o 1º trimestre, ou no 1º trimestre apenas se houver sintomas intensos, avaliando risco-benefício.
Prescrição na gestante — uso oral
- Metronidazol 250 mg — comprimido. Tomar 500 mg (02 comprimidos), via oral, a cada 12 horas, por 07 dias.
Observações do guia:
- O tratamento reduz o risco de parto prematuro em gestantes sintomáticas.
- Orientar evitar álcool durante o tratamento e por 48 horas após o término.
Mesma droga, mesma dose, mesma duração: na gestante, o que muda é a avaliação do trimestre e a orientação sobre o álcool até 48 horas depois.
Erros comuns no manejo
- Tratar como vaginose um corrimento com prurido intenso. O guia orienta pensar mais em candidíase ou tricomoníase.
- Esperar microscopia para tratar. Sem microscópio, corrimento típico, pH > 4,5 e teste das aminas positivo já sustentam o diagnóstico.
- Omitir o álcool da orientação. O UBS de Bolso escreve "evitar álcool" na receita, e o Guia de Pré-Natal estende o cuidado por 48 horas após o término.
- Repetir os mesmos 7 dias na recorrência. O guia sugere considerar 14 dias de metronidazol nesse caso.
Na consulta
A vaginose bacteriana está no módulo de saúde da mulher do UBS de Bolso 2026, com o roteiro diagnóstico em cinco passos e a prescrição pronta. Na gestante, a conduta e as observações de segurança estão no capítulo de infecções do Guia de Pré-Natal 2026.
Perguntas frequentes
Dá para diagnosticar vaginose bacteriana sem microscópio?
Sim. O UBS de Bolso considera que corrimento típico, pH vaginal > 4,5 e odor característico ou teste das aminas positivo já dão forte sustentação ao diagnóstico clínico. A microscopia completa os critérios de Amsel quando está disponível.
Qual a dose de metronidazol na vaginose bacteriana?
Metronidazol 500 mg, ou 02 comprimidos de 250 mg, via oral, de 12 em 12 horas por 7 dias. O guia sugere considerar 14 dias se houver recorrência e orienta evitar álcool.
O parceiro precisa ser tratado?
Segundo o esquema de antibióticos por sistema da plataforma, os parceiros não precisam de tratamento, exceto se sintomáticos.
Como tratar vaginose bacteriana na gestante?
O Guia de Pré-Natal prescreve metronidazol 250 mg, 500 mg (02 comprimidos) a cada 12 horas por 07 dias. O metronidazol é categoria B, e muitos protocolos liberam o uso após o 1º trimestre, ou no 1º trimestre apenas com sintomas intensos. A gestante deve evitar álcool durante o tratamento e por 48 horas após.
Fontes
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