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Médico conversa com uma gestante sentada na maca do consultório

Vaginose bacteriana: tratamento com metronidazol, critérios de Amsel e gestação

Equipe Médicos do Futuro Redação clínica Publicado em · 4 min de leitura

Resposta rápida

No tratamento da vaginose bacteriana, o UBS de Bolso prescreve metronidazol 250 mg, 02 comprimidos via oral de 12 em 12 horas por 7 dias, evitando álcool, ou clindamicina 300 mg de 12 em 12 horas por 7 dias. O diagnóstico clínico usa 3 dos 4 critérios de Amsel. Parceiros só são tratados se sintomáticos.

Corrimento com odor de peixe, pouco prurido e pouca inflamação: é por esse padrão que o guia orienta suspeitar de vaginose bacteriana, lembrando do diferencial com candidíase e tricomoníase quando há prurido intenso.

O UBS de Bolso descreve o diagnóstico em cinco passos e dá duas opções orais. O Guia de Pré-Natal ajusta a conduta para a gestante, e o esquema de antibióticos por sistema da plataforma acrescenta a via vaginal e a orientação sobre parceiros.

Como fazer o diagnóstico na UBS

1. Suspeite pela clínica

  • Corrimento branco-acinzentado, fino e homogêneo.
  • Odor forte, fétido, tipo "peixe", muitas vezes mais evidente após a relação sexual ou durante a menstruação.
  • Geralmente pouco prurido e pouca inflamação. Se houver prurido intenso, o guia orienta pensar mais em candidíase ou tricomoníase.

2. Faça o exame especular

Pode mostrar corrimento fino e homogêneo, aderido às paredes vaginais, sem hiperemia importante, com colo geralmente sem sinais marcantes de inflamação.

3. Meça o pH vaginal

Na vaginose bacteriana, o pH é > 4,5.

4. Faça o teste das aminas, se disponível

Adicione KOH a 10% à secreção vaginal. O odor de peixe após o KOH indica teste das aminas (Whiff test) positivo, pela liberação de aminas voláteis produzidas pelas bactérias anaeróbias.

5. Microscopia, se disponível

Procure as clue cells, ou células-guia: células epiteliais vaginais cobertas por bactérias, com bordas borradas ou granulosas.

Critérios de Amsel

O diagnóstico clínico é feito com 3 dos 4 critérios:

  • Corrimento branco-acinzentado, fino e homogêneo.
  • pH vaginal > 4,5.
  • Teste das aminas positivo.
  • Clue cells na microscopia.

E se a UBS não tiver microscópio? O guia responde: corrimento típico, pH > 4,5 e odor característico ou teste das aminas positivo já dão forte sustentação ao diagnóstico clínico.

Vaginose bacteriana: tratamento no UBS de Bolso

A prescrição do UBS de Bolso tem duas opções orais:

Uso oral

  • Metronidazol 250 mg/cp — 28 comprimidos. Tomar 02 comprimidos, via oral, de 12 em 12 horas por 7 dias. Considerar 14 dias se recorrência. Evitar álcool. Ou:
  • Clindamicina 300 mg/cp — tomar 01 comprimido, via oral, de 12 em 12 horas por 7 dias.

O esquema de antibióticos por sistema da plataforma organiza as opções em ordem de preferência e inclui a via vaginal:

OrdemEsquemaDuração
1ª opção (preferida)Metronidazol 500 mg, VO, de 12 em 12 horas7 dias
2ª opçãoMetronidazol gel 100 mg/g, 1 aplicação vaginal5 dias
3ª opçãoClindamicina 300 mg, VO, de 12 em 12 horas7 dias

Os 500 mg da primeira opção correspondem aos 02 comprimidos de 250 mg da receita do UBS de Bolso. É o mesmo esquema, escrito de duas formas.

Precisa tratar o parceiro?

Segundo o esquema de antibióticos por sistema, os parceiros não precisam de tratamento, exceto se sintomáticos.

Vaginose bacteriana na gestação

O Guia de Pré-Natal classifica o metronidazol como categoria B de segurança na gestação e registra que muitos protocolos liberam o uso após o 1º trimestre, ou no 1º trimestre apenas se houver sintomas intensos, avaliando risco-benefício.

Prescrição na gestante — uso oral

  • Metronidazol 250 mg — comprimido. Tomar 500 mg (02 comprimidos), via oral, a cada 12 horas, por 07 dias.

Observações do guia:

  • O tratamento reduz o risco de parto prematuro em gestantes sintomáticas.
  • Orientar evitar álcool durante o tratamento e por 48 horas após o término.

Mesma droga, mesma dose, mesma duração: na gestante, o que muda é a avaliação do trimestre e a orientação sobre o álcool até 48 horas depois.

Erros comuns no manejo

  • Tratar como vaginose um corrimento com prurido intenso. O guia orienta pensar mais em candidíase ou tricomoníase.
  • Esperar microscopia para tratar. Sem microscópio, corrimento típico, pH > 4,5 e teste das aminas positivo já sustentam o diagnóstico.
  • Omitir o álcool da orientação. O UBS de Bolso escreve "evitar álcool" na receita, e o Guia de Pré-Natal estende o cuidado por 48 horas após o término.
  • Repetir os mesmos 7 dias na recorrência. O guia sugere considerar 14 dias de metronidazol nesse caso.

Na consulta

A vaginose bacteriana está no módulo de saúde da mulher do UBS de Bolso 2026, com o roteiro diagnóstico em cinco passos e a prescrição pronta. Na gestante, a conduta e as observações de segurança estão no capítulo de infecções do Guia de Pré-Natal 2026.

Perguntas frequentes

Dá para diagnosticar vaginose bacteriana sem microscópio?

Sim. O UBS de Bolso considera que corrimento típico, pH vaginal > 4,5 e odor característico ou teste das aminas positivo já dão forte sustentação ao diagnóstico clínico. A microscopia completa os critérios de Amsel quando está disponível.

Qual a dose de metronidazol na vaginose bacteriana?

Metronidazol 500 mg, ou 02 comprimidos de 250 mg, via oral, de 12 em 12 horas por 7 dias. O guia sugere considerar 14 dias se houver recorrência e orienta evitar álcool.

O parceiro precisa ser tratado?

Segundo o esquema de antibióticos por sistema da plataforma, os parceiros não precisam de tratamento, exceto se sintomáticos.

Como tratar vaginose bacteriana na gestante?

O Guia de Pré-Natal prescreve metronidazol 250 mg, 500 mg (02 comprimidos) a cada 12 horas por 07 dias. O metronidazol é categoria B, e muitos protocolos liberam o uso após o 1º trimestre, ou no 1º trimestre apenas com sintomas intensos. A gestante deve evitar álcool durante o tratamento e por 48 horas após.

Fontes

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