Toxoplasmose na gestação: sorologia e tratamento antes e depois de 16 semanas
Resposta rápida
No tratamento da toxoplasmose na gestação, o marco é 16 semanas. Até 16 semanas, com IgG e IgM reagentes, o Guia de Pré-Natal manda iniciar espiramicina 1,5 milhão de unidades, 4 a 6 comprimidos ao dia, e pedir avidez de IgG. Após 16 semanas, o esquema é pirimetamina + sulfadiazina + ácido folínico, com encaminhamento ao alto risco.
A sorologia de toxoplasmose aparece no pré-natal, mas o resultado nem sempre é simples de ler. A combinação de IgG, IgM e, às vezes, avidez muda a conduta, e a idade gestacional no momento do exame muda o tratamento.
O Guia de Pré-Natal organiza o tema em três partes: a leitura da sorologia, a prescrição antes e depois de 16 semanas e a investigação fetal.
Como interpretar a sorologia de toxoplasmose na gestação
| Resultado | Momento | Interpretação | Conduta do guia |
|---|---|---|---|
| IgG reagente + IgM não reagente | Qualquer idade gestacional | Infecção antiga | Manter pré-natal habitual, não repetir sorologia, manter orientações preventivas |
| IgG e IgM não reagentes | Qualquer idade gestacional | Gestante suscetível | Orientar prevenção; repetir sorologia pelo menos a cada 3 meses e no parto |
| IgG e IgM reagentes | Até 16 semanas | Possível infecção gestacional | Iniciar espiramicina imediatamente e solicitar avidez de IgG na mesma amostra |
| IgG e IgM reagentes | Após 16 semanas | Provável infecção aguda | Iniciar pirimetamina + sulfadiazina + ácido folínico, encaminhar ao alto risco e fazer investigação fetal |
| IgG não reagente + IgM reagente | Qualquer idade gestacional | Infecção muito recente ou IgM falso-positivo | Iniciar espiramicina e repetir IgG e IgM em 2–3 semanas |
O papel da avidez de IgG até 16 semanas
Com IgG e IgM reagentes até 16 semanas, a avidez define o próximo passo:
- Avidez alta: provável infecção anterior à gestação. Suspender a espiramicina e manter o pré-natal habitual.
- Avidez baixa ou intermediária: provável infecção aguda. Manter a espiramicina, encaminhar ao alto risco, realizar USG fetal seriada e programar PCR do líquido amniótico.
Após 16 semanas, o guia avisa que a avidez geralmente não confirma nem exclui infecção recente.
IgM isolado: a repetição em 2–3 semanas
Quando o primeiro exame vem com IgG não reagente e IgM reagente, a repetição esclarece:
- IgG tornou-se reagente: infecção aguda confirmada por soroconversão. Manter espiramicina se ≤16 semanas ou iniciar esquema tríplice se >16 semanas, e encaminhar ao alto risco.
- IgG permanece não reagente: provável IgM falso-positivo. Suspender a espiramicina e acompanhar como gestante suscetível.
Na gestante com sorologia anteriormente negativa que se torna IgG e IgM reagentes, o guia classifica como infecção aguda durante a gestação: iniciar tratamento imediatamente conforme a idade gestacional e encaminhar ao alto risco.
Tratamento até 16 semanas: espiramicina
Uso oral
- Espiramicina 1,5 milhão de unidades, comprimido. Tomar 4 a 6 comprimidos ao dia, divididos em 2 ou 3 administrações diárias.
O guia registra que a espiramicina reduz a transmissão vertical e não atravessa a placenta de forma significativa. A categoria de segurança na gestação informada é C.
Tratamento após 16 semanas: esquema tríplice
Uso oral
- Pirimetamina 25 mg, comprimido. Tomar 50 mg, via oral, a cada 12 horas, nos primeiros 2 dias. Depois, 25 mg, via oral, a cada 12 horas.
- Sulfadiazina. Tomar 0,5 a 1,0 g, via oral, a cada 6 horas.
- Ácido folínico 15 mg, comprimido. Tomar 15 mg, via oral, 1 vez ao dia.
Observações do guia: o esquema é indicado quando há infecção fetal ou risco elevado; o ácido folínico é obrigatório para prevenir mielotoxicidade; e o hemograma deve ser monitorado de forma seriada. A categoria de segurança na gestação informada também é C.
Um detalhe que o guia faz questão de esclarecer: o esquema tríplice pode ser iniciado após 16 semanas. As 18 semanas se referem ao período para a amniocentese, e não ao início obrigatório do tratamento.
Investigação fetal
- USG fetal: mensal ou bimensal após suspeita ou confirmação de infecção aguda.
- Amniocentese com PCR para Toxoplasma gondii: após 18 semanas e pelo menos 4 semanas após a provável infecção materna.
- PCR positivo ou alteração fetal compatível: manter o esquema tríplice até o parto e garantir investigação completa do recém-nascido.
Até 16 semanas, espiramicina. Depois de 16, esquema tríplice com ácido folínico. Amniocentese só após 18 semanas.
No pré-natal
A interpretação da sorologia, as prescrições antes e depois de 16 semanas e a investigação fetal estão no Guia de Pré-Natal 2026, no módulo de ISTs e infecções na gestação, que inclui a toxoplasmose.
Perguntas frequentes
IgG e IgM reagentes antes de 16 semanas: o que fazer?
Até 16 semanas, o guia orienta iniciar espiramicina imediatamente e solicitar avidez de IgG na mesma amostra. Avidez alta sugere infecção anterior à gestação, e a espiramicina é suspensa. Avidez baixa ou intermediária indica provável infecção aguda: manter a espiramicina e encaminhar ao alto risco.
Qual a dose de espiramicina na gestação?
Espiramicina 1,5 milhão de unidades, 4 a 6 comprimidos ao dia, divididos em 2 ou 3 administrações diárias. É o esquema do guia para diagnóstico até 16 semanas.
Preciso esperar 18 semanas para iniciar o esquema tríplice?
Não. O guia esclarece que o esquema tríplice pode ser iniciado após 16 semanas. As 18 semanas se referem ao período para realizar a amniocentese.
Gestante suscetível: com que frequência repetir a sorologia?
Com IgG e IgM não reagentes, o guia orienta prevenção e repetir a sorologia pelo menos a cada 3 meses e no parto.
Fontes
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