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Gestante de suéter faz um coração com as mãos sobre a barriga

Ultrassom obstétrico: quando fazer cada exame na gestação e o que fazer com o resultado

Equipe Médicos do Futuro Redação clínica Publicado em · 4 min de leitura

Resposta rápida

Sobre quando fazer o ultrassom obstétrico, o Guia de Pré-Natal organiza assim: USG inicial ou de datação de 6 a 12 semanas; morfológica do primeiro trimestre com translucência nucal de 11 semanas a 13 semanas e 6 dias; morfológica do segundo trimestre de 20 a 24 semanas; e USG de crescimento de 30 a 34 semanas, quando indicada.

No pré-natal, cada ultrassom tem um período ideal e um objetivo próprio. Na consulta, a dúvida aparece duas vezes: na hora de pedir o exame e na hora de decidir o que fazer com o laudo.

O Guia de Pré-Natal resolve as duas partes: uma tabela com os exames por período, seus objetivos e achados importantes, e uma segunda tabela com a conduta para cada resultado.

Ultrassom obstétrico: quando fazer cada exame

ExamePeríodo ideal
USG obstétrica inicial ou de datação6 a 12 semanas
USG morfológica do primeiro trimestre com translucência nucal11 semanas a 13 semanas e 6 dias
USG morfológica do segundo trimestre20 a 24 semanas
USG obstétrica de crescimento no terceiro trimestre30 a 34 semanas, quando indicada
Dopplervelocimetria obstétricaConforme indicação clínica
Perfil biofísico fetalTerceiro trimestre, quando indicado

USG inicial ou de datação (6 a 12 semanas)

Objetivos: confirmar gestação intrauterina, avaliar vitalidade embrionária ou fetal, determinar a idade gestacional pelo comprimento cabeça-nádega, identificar o número de fetos, definir corionicidade e amnionicidade e investigar gestação ectópica ou molar.

  • Suspeita de ectópica ou molar: encaminhar imediatamente para serviço de referência.
  • Embrião não visualizado ou ausência de batimentos: avaliar as medidas e repetir a USG em 7–10 dias. Se persistir, investigar perda gestacional.
  • Diferença entre DUM e USG inicial maior que 7 dias: usar a idade gestacional da USG do primeiro trimestre.

Morfológica do primeiro trimestre (11 semanas a 13 semanas e 6 dias)

Objetivos: avaliar a anatomia fetal precoce, medir a translucência nucal, contribuir para o rastreamento de cromossomopatias, avaliar o osso nasal e, quando disponível, ducto venoso e regurgitação tricúspide, além de confirmar número de fetos e corionicidade.

  • Translucência nucal aumentada: interpretar conforme o percentil para o comprimento cabeça-nádega e encaminhar para medicina fetal, aconselhamento genético e investigação complementar.
  • Malformação ou marcador relevante: encaminhar ao pré-natal de alto risco ou à medicina fetal.

Morfológica do segundo trimestre (20 a 24 semanas)

Objetivos: avaliar detalhadamente a anatomia fetal, biometria, placenta e inserção do cordão, líquido amniótico e colo uterino, quando indicado.

  • Malformação fetal: encaminhar para medicina fetal ou pré-natal de alto risco.
  • Placenta prévia ou de inserção baixa: acompanhar e reavaliar, geralmente por volta de 32 semanas. Não indicar cesariana apenas pelo achado nessa fase. Se persistir no terceiro trimestre, encaminhar para planejamento do parto.
  • Colo uterino < 25 mm antes de 24 semanas: avaliar antecedentes, encaminhar ao alto risco e avaliar progesterona vaginal ou cerclagem, conforme os antecedentes obstétricos. A cerclagem não é automática.

USG de crescimento no terceiro trimestre (30 a 34 semanas)

Objetivos: avaliar crescimento fetal, biometria, peso fetal estimado, líquido amniótico, localização placentária e apresentação fetal.

  • Restrição do crescimento fetal: encaminhar ao alto risco e solicitar Doppler obstétrico.
  • Suspeita de macrossomia: investigar diabetes materno e acompanhar o crescimento fetal.
  • Oligoidrâmnio: investigar a causa e encaminhar ao pré-natal de alto risco.
  • Polidrâmnio: investigar diabetes e malformações fetais e encaminhar ao alto risco.
  • Placenta prévia persistente: encaminhar e planejar a assistência ao parto.
  • Apresentação pélvica ou transversa antes de 36 semanas: manter o acompanhamento e reavaliar próximo de 36–37 semanas.
  • Apresentação pélvica persistente após 36 semanas: encaminhar para avaliação de versão cefálica externa ou planejamento da via de parto.

Doppler e perfil biofísico: só com indicação

A dopplervelocimetria avalia a circulação uteroplacentária e fetal e acompanha restrição de crescimento, doenças hipertensivas, alterações do líquido amniótico e outras gestações de risco. O guia é explícito: não solicitar rotineiramente em todas as gestantes de baixo risco. Doppler alterado: encaminhar para avaliação especializada e acompanhamento da vitalidade fetal.

O perfil biofísico fetal avalia movimentos fetais, tônus, movimentos respiratórios, líquido amniótico e, conforme o método, cardiotocografia. Resultado alterado: encaminhar para avaliação obstétrica imediata, para definir a necessidade de vigilância intensiva ou interrupção da gestação.

Dica prática: a gestante que chega sem USG precoce

A ultrassonografia do primeiro trimestre é a mais precisa para determinar a idade gestacional. Se a gestante chega ao pré-natal sem esse exame, a USG deve ser solicitada o mais precocemente possível, sabendo que a precisão da datação diminui com o avanço da gestação.

Com ultrassonografia normal, a conduta é manter o acompanhamento pré-natal habitual.

Cada USG tem sua janela e sua pergunta. Pedir no período certo e saber a conduta para cada achado é o que faz o exame mudar o pré-natal.

No pré-natal

As duas tabelas, com os exames por período e a conduta para cada resultado, estão no Guia de Pré-Natal 2026, no módulo de consultas de seguimento, que traz exames laboratoriais e ultrassons por trimestre com condutas.

Perguntas frequentes

Quando pedir o primeiro ultrassom na gestação?

O Guia de Pré-Natal indica a USG inicial ou de datação entre 6 a 12 semanas. Se a gestante chega sem esse exame, a USG deve ser pedida o mais cedo possível, porque a precisão da datação diminui com o avanço da gestação.

Qual o período da translucência nucal?

A morfológica do primeiro trimestre com translucência nucal é feita de 11 semanas a 13 semanas e 6 dias. TN aumentada deve ser interpretada pelo percentil para o comprimento cabeça-nádega e encaminhada para medicina fetal, aconselhamento genético e investigação complementar.

DUM e USG divergem: qual idade gestacional usar?

Quando a diferença entre a DUM e a USG inicial é maior que 7 dias, o guia orienta usar a idade gestacional definida pela ultrassonografia do primeiro trimestre.

Devo pedir Doppler para toda gestante?

Não. O guia orienta não solicitar a dopplervelocimetria rotineiramente em todas as gestantes de baixo risco. Ela entra conforme indicação clínica, como restrição de crescimento, doenças hipertensivas e alterações do líquido amniótico.

Fontes

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