Rinossinusite aguda: quando é bacteriana e quando não tratar
Resposta rápida
Mais de 80% das rinossinusites agudas têm causa alérgica ou viral, e as virais melhoram espontaneamente em 7 a 10 dias. O indicativo de etiologia bacteriana é a duração dos sintomas por mais de 10 dias ou a piora dos sintomas após o 5º dia. O guia da Anvisa para a APS considera antimicrobiano diante de piora após fase inicial mais branda, rinorreia predominantemente unilateral ou posterior purulenta, dor facial intensa sobretudo unilateral, ou febre a partir de 37,8 °C.
A rinossinusite aguda é uma das queixas em que o antibiótico é prescrito por contagem de dias na cabeça do médico, e não por critério escrito. O guia da Anvisa para a Atenção Primária começa pela proporção que reorganiza a consulta: as causas mais comuns são alergia e vírus respiratórios — mais de 80% dos casos.
O que aponta cada etiologia
- Alérgica: costuma vir associada a coriza hialina crônica, sibilância e congestão ou prurido ocular.
- Viral: costuma melhorar espontaneamente em 7 a 10 dias.
- Bacteriana pós-viral: o indicativo é duração dos sintomas por mais de 10 dias ou piora dos sintomas após o 5º dia.
O quadro que piora no sétimo dia depois de ter melhorado no quinto diz mais que qualquer secreção amarelada.
Os agentes bacterianos são S. pneumoniae, H. influenzae e M. catarrhalis, além de anaeróbios — Peptostreptococcus, Bacteroides e Fusobacterium.
O tratamento que serve para quase todos
Hidratação adequada, umidificação do ambiente e evitar exposição a agentes que causem alergia. Lavagem nasal com solução salina. O guia é direto: não é necessário antimicrobiano na maior parte dos casos, e muitas vezes ocorre resolução espontânea dos sintomas.
A técnica da lavagem, como o documento descreve: colocar a solução na mão e aspirar pela narina até que atinja a cavidade oral, uma narina de cada vez, repetindo o procedimento várias vezes ao dia.
Sobre o corticosteroide nasal, o guia é honesto quanto ao tamanho do benefício: são eficazes na redução de sintomas da rinossinusite aguda pós-viral, no entanto o efeito é pequeno — prescrever apenas quando a redução dos sintomas for considerada necessária.
Quando considerar antimicrobiano
- Piora após fase inicial mais branda;
- Rinorreia predominantemente unilateral, ou rinorreia posterior purulenta;
- Dor facial intensa, principalmente unilateral;
- Febre ≥ 37,8 °C.
As doses, quando indicado
- Amoxicilina — adulto: 500 mg VO 8/8h por 5 a 7 dias. Criança: 50 mg/kg/dia VO divididos de 8/8h por 5 a 7 dias.
- Cefuroxima — adulto: 500 mg VO 12/12h por 5 a 7 dias. Criança: 30 mg/kg/dia dividido de 12/12h (máximo 250 mg/dose) por 5 a 7 dias.
- Doxiciclina — adulto: 100 mg VO 12/12h por 5 a 7 dias. Criança: 2 a 4 mg/kg dividido de 12/12h (máximo 100 mg/dose) por 5 a 7 dias.
- Em caso de não resposta: amoxicilina-clavulanato 500/125 mg VO 8/8h por 5 a 7 dias; na criança, 50 mg/kg/dia divididos de 8/8h.
Na consulta
O Guia da UBS e o Guia de Condutas UBS trazem o critério de tempo e a tabela de dose na mesma página — para a decisão de tratar ou não tratar sair com o paciente ainda na sala.
Perguntas frequentes
Secreção amarelada ou esverdeada indica infecção bacteriana?
Não por si só. O guia define como indicativo de etiologia bacteriana a duração dos sintomas por mais de 10 dias ou a piora após o 5º dia. Entre os critérios para considerar antimicrobiano está a rinorreia predominantemente unilateral ou a rinorreia posterior purulenta — não a cor da secreção isoladamente.
Corticoide nasal resolve a rinossinusite aguda?
O guia registra que os corticosteroides nasais são eficazes na redução de sintomas da rinossinusite aguda pós-viral, mas que o efeito é pequeno, e orienta prescrever apenas quando essa redução for considerada necessária. A base do tratamento é lavagem nasal, hidratação e umidificação.
Fontes
Leia também
ITU de repetição: a definição, a profilaxia e o que não funciona
ITU de repetição é definida como dois ou mais episódios em 6 meses, ou três ou mais em 12 meses. Urina I e urocultura devem ser solicitadas em todos os casos. O guia da Anvisa registra que não há emb…
· 4 min de leitura
Ler agoraDoença inflamatória pélvica: os critérios e o esquema de 14 dias
O diagnóstico exige mulher sexualmente ativa com dor pélvica e, ao exame ginecológico, dor à palpação de anexos somada a dor à mobilização do colo uterino — mais pelo menos um achado adicional, como…
· 4 min de leitura
Ler agoraPneumonia na comunidade: os fatores de risco mudam o antibiótico
No guia da Anvisa para a APS, sem fatores de risco a primeira opção é amoxicilina 500 mg VO 8/8h por 5 a 7 dias. Com fatores de risco — idade igual ou acima de 65 anos, hospitalização no último ano,…
· 4 min de leitura
Ler agora