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Médico atende uma paciente em consulta, com prancheta em mãos

Doença inflamatória pélvica: os critérios e o esquema de 14 dias

Equipe Médicos do Futuro Redação clínica Publicado em · 4 min de leitura

Resposta rápida

O diagnóstico exige mulher sexualmente ativa com dor pélvica e, ao exame ginecológico, dor à palpação de anexos somada a dor à mobilização do colo uterino — mais pelo menos um achado adicional, como febre, corrimento mucopurulento, friabilidade do colo, leucocitose ou elevação de VHS/PCR. O esquema de escolha é ceftriaxona 500 mg IM em dose única, com doxiciclina 100 mg VO 12/12h e metronidazol 500 mg VO 12/12h, ambos por 14 dias.

A doença inflamatória pélvica é um diagnóstico que se perde por não ser procurado. O guia da Anvisa organiza os critérios de forma que cabem numa consulta de atenção primária — e o ponto de partida é uma dupla obrigatória no exame ginecológico.

Os critérios

Mulher sexualmente ativa — independentemente de atividade sexual recente — com dor pélvica, apresentando ao exame ginecológico:

Dor à palpação de anexos + dor à mobilização de colo uterino

Somados a pelo menos um dos seguintes achados:

  • Febre
  • Corrimento vaginal mucopurulento anormal
  • Friabilidade do colo uterino
  • Leucocitose em sangue periférico
  • Presença de leucócitos no fluido vaginal (> 10 por campo)
  • Elevação de velocidade de hemossedimentação (VHS) ou proteína C reativa (PCR)
  • Massa pélvica
  • Comprovação laboratorial de infecção cervical por gonococo, clamídia ou micoplasma

"Independentemente de atividade sexual recente" está escrito no critério por um motivo: a pergunta sobre a última relação não afasta o diagnóstico.

O esquema

Antimicrobiano de escolha:

  • Ceftriaxona 500 mg IM, dose única
  • + Doxiciclina 100 mg VO 12/12h por 14 dias
  • + Metronidazol 500 mg VO 12/12h por 14 dias

Opção:

  • Ceftriaxona 500 mg IM, dose única
  • + Azitromicina 1 g VO, uma vez por semana, por 2 semanas
  • + Metronidazol 500 mg VO 12/12h por 14 dias

O metronidazol aparece nos dois esquemas. É componente, não alternativa — e é a parte que mais se omite quando a prescrição é feita de memória.

Quando internar

  • Abscesso tubo-ovariano
  • Gravidez
  • Ausência de resposta clínica após 72 horas do início do tratamento com antibioticoterapia oral
  • Intolerância a antibióticos orais ou dificuldade de seguimento ambulatorial
  • Estado geral grave, com náuseas, vômitos e febre
  • Dificuldade na exclusão de emergência cirúrgica — por exemplo, apendicite ou gravidez ectópica

O último critério é o que transforma a consulta: não é preciso ter certeza de DIP para internar; basta não conseguir descartar o que é cirúrgico.

Na consulta

O Guia da UBS e o Guia de Condutas UBS trazem os critérios diagnósticos e o esquema completo na mesma página, com os três componentes juntos.

Perguntas frequentes

Precisa de exame laboratorial para diagnosticar DIP?

Não necessariamente. A dupla obrigatória é clínica — dor à palpação de anexos com dor à mobilização do colo uterino, em mulher sexualmente ativa com dor pélvica. A ela basta somar um achado adicional, que pode ser apenas febre, corrimento mucopurulento ou friabilidade do colo.

O metronidazol é opcional no esquema?

Não. O guia traz metronidazol 500 mg VO 12/12h por 14 dias tanto no esquema de escolha quanto na opção — em ambos, somado à ceftriaxona em dose única e ao segundo antimicrobiano (doxiciclina ou azitromicina).

Fontes

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