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Monitor multiparamétrico exibindo sinais vitais em um leito de UTI

Protocolo de morte encefálica: pré-requisitos, tempos, teste de apneia e sedativos

Equipe Médicos do Futuro Redação clínica Publicado em · 4 min de leitura

Resposta rápida

O protocolo de morte encefálica só abre com lesão de causa conhecida e irreversível, sem fatores tratáveis, temperatura > 35ºC, saturação > 94% e PAs > 100 mmHg ou PAM > 65 mmHg. Exige observação mínima de 6 horas (24 horas na encefalopatia hipóxico-isquêmica), dois exames clínicos, teste de apneia e um exame complementar.

Abrir um protocolo de morte encefálica exige checar pré-requisitos, respeitar tempos mínimos, fazer dois exames clínicos, um teste de apneia e um exame complementar. Cada etapa tem números que precisam estar certos, e um sedativo esquecido na bomba pode falsear tudo.

O guia de terapia intensiva da plataforma organiza o protocolo em sequência. Segundo o guia, a morte encefálica é a perda irreversível e completa das funções cerebrais, de causa identificável e compatível com o quadro, e, uma vez constatada, o paciente está legalmente morto.

Pré-requisitos do protocolo de morte encefálica

São obrigatórios para abrir o protocolo:

  • Lesão encefálica de causa conhecida, irreversível e capaz de causar a morte encefálica.
  • Ausência de fatores tratáveis, como sedação, distúrbios metabólicos e intoxicações.
  • Temperatura corporal > 35ºC (esofagiana, vesical ou retal). Sem temperatura central disponível, a axilar > 35ºC vale para este critério.
  • Saturação de oxigênio > 94%.
  • PAs > 100 mmHg ou PAM > 65 mmHg.

Tempos mínimos: observação e intervalo entre exames

Observação clínica antes de iniciar: no mínimo 6 horas nas causas gerais e no mínimo 24 horas se a causa for encefalopatia hipóxico-isquêmica.

IdadeIntervalo mínimo entre as avaliações clínicas
Acima de 2 anos1 hora
Entre 2 meses e 2 anos12 horas
Entre 7 dias e 2 meses24 horas

Quem faz os exames clínicos

São necessários dois exames clínicos, por dois médicos diferentes, capacitados para confirmar o coma não perceptivo (Glasgow de 3) e a ausência de função do tronco encefálico. Nenhum dos dois pode fazer parte da equipe de transplante. O guia cita neurologista, neurocirurgião, emergencista e intensivista.

Reflexos do tronco encefálico

  • Pupilar (fotomotor): luz direto na pupila; ausência de miose no lado estimulado e no contralateral.
  • Córneo-palpebral: ausência de piscar ao tocar a córnea com algodão embebido em soro fisiológico ou água destilada.
  • Oculocefálico (olhos de boneca): movimento brusco da cabeça para os lados; na ausência do reflexo, os olhos acompanham a cabeça. Contraindicado se houver suspeita de traumatismo raquimedular.
  • Vestíbulo-ocular (prova calórica): otoscopia antes, para afastar obstrução; instilar 50 mL de salina a 4°C no conduto auditivo externo. Se positiva, há desvio do olhar conjugado para o lado estimulado. Aguardar 5 minutos para testar o outro lado.
  • Tosse ou engasgo: estimular traqueia ou hipofaringe com sonda de aspiração pelo tubo ou pela traqueostomia.

Teste de apneia passo a passo

  1. Ventilar com FiO2 100% por pelo menos 10 minutos, buscando PaO2 > 200 mmHg e PaCO2 entre 35 e 45 mmHg.
  2. Instalar oxímetro, colher gasometria arterial e desconectar da ventilação mecânica.
  3. Manter fluxo contínuo de O2: cateter intratraqueal ao nível da carina (6L/min), tubo T (12L/min) ou CPAP (até 12L/min + 10 cmH2O).
  4. Observar movimentos respiratórios por 10 minutos. Para estimar o tempo de desconexão, prever elevação da PaCO2 de 3 mmHg/min.
  5. Colher nova gasometria arterial ao final e reconectar a ventilação.

Interpretação: positivo com PaCO2 > 55 mmHg e ausência de movimentos respiratórios; inconclusivo com PaCO2 final abaixo de 55 mmHg sem movimentos; negativo se houver qualquer movimento respiratório, mesmo débil, com qualquer PaCO2.

Quando interromper: hipotensão (PAs < 100 mmHg ou PAM < 65 mmHg), hipoxemia significativa ou arritmia. Colher a gasometria e reconectar o paciente ao ventilador.

Exame complementar

Um exame complementar deve comprovar a ausência de atividade encefálica. O guia cita três opções: Doppler transcraniano (ausência de fluxo sanguíneo encefálico), cintilografia ou SPECT cerebral (ausência de atividade metabólica) e eletroencefalograma (ausência de atividade elétrica).

Sedativos: quanto esperar antes de abrir o protocolo

Com sedativos em infusão contínua, é preciso esperar no mínimo quatro a cinco meias-vidas depois da interrupção, porque eles podem falsear o exame do tronco encefálico.

MedicaçãoMeia-vidaTempo mínimo para iniciar
Fentanil, midazolam, propofol, dexmedetomidina2 horas10 horas
Cetamina2,5 horas12 horas e 30 minutos
Etomidato3 horas15 horas
Tiopental12 horas60 horas
Rocurônio1 hora5 horas
Atracúrio20 minutos1 hora e 40 minutos
Cisatracúrio22 minutos1 hora e 50 minutos
Succinilcolina10 minutos50 minutos

Pré-requisitos cumpridos, tempo de observação respeitado, sedativos eliminados: só então os dois exames clínicos, o teste de apneia e o exame complementar.

Na UTI

O protocolo completo, com o fluxograma dos pré-requisitos e as tabelas de reflexos e de meia-vida dos sedativos, está no guia de terapia intensiva da Plataforma, a assinatura anual com prescrições, fluxogramas, calculadoras e guias clínicos.

Perguntas frequentes

Quanto tempo de observação antes de abrir o protocolo de morte encefálica?

No mínimo 6 horas nas causas gerais. Se a causa for encefalopatia hipóxico-isquêmica, no mínimo 24 horas.

Qual o intervalo entre os dois exames clínicos?

Depende da idade: 1 hora acima de 2 anos, 12 horas entre 2 meses e 2 anos e 24 horas entre 7 dias e 2 meses. Os exames são feitos por dois médicos diferentes, nenhum da equipe de transplante.

Quando o teste de apneia é inconclusivo?

Quando a PaCO2 final fica abaixo de 55 mmHg e não há movimentos respiratórios. Se houver qualquer movimento respiratório, mesmo débil, o teste é negativo, com qualquer PaCO2.

Quanto esperar depois de suspender o midazolam?

O guia orienta esperar quatro a cinco meias-vidas. Para midazolam, com meia-vida de 2 horas, o tempo mínimo é de 10 horas; o mesmo vale para fentanil, propofol e dexmedetomidina.

Fontes

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