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Bolsa de soro pendurada ao lado de uma bomba de infusão em leito hospitalar

Acesso venoso central: indicações, escolha do sítio e passo a passo da punção

Equipe Médicos do Futuro Redação clínica Publicado em · 3 min de leitura

Resposta rápida

O acesso venoso central só deve ser puncionado quando o acesso periférico não atende às demandas urgentes. Indicações incluem drogas vasoativas, nutrição parenteral, hemodiálise e marca-passo transvenoso. A jugular interna tem menor risco de complicações, a subclávia menor taxa de infecção e a femoral é preferida na discrasia sanguínea. Em acesso alto, pedir raio-x de tórax.

Passar um cateter venoso central é procedimento de rotina na UTI e na sala vermelha, mas a decisão começa antes da agulha: precisa mesmo de acesso central, e em qual veia? O Guia Prático de Terapia Intensiva da plataforma responde as duas perguntas e depois descreve a punção passo a passo, com as falas para o paciente.

O princípio que abre a ficha é simples: a punção venosa profunda só deve ser feita quando um acesso venoso periférico não for capaz de atender às demandas urgentes.

Indicações do acesso venoso central

  • monitoração da saturação venosa central de oxigênio para a reanimação precoce da sepse grave e do choque séptico;
  • medidas hemodinâmicas e cateterização de artéria pulmonar (Swan-Ganz);
  • nutrição parenteral total e uso de drogas vasoativas;
  • hemodiálise e plasmaférese;
  • passagem de marca-passo transvenoso;
  • hipovolemia na impossibilidade de acesso venoso periférico.

Contraindicações relativas

O guia classifica as contraindicações como relativas, para dosar risco e benefício:

  • infecção na região de realização do procedimento;
  • coagulopatia não corrigida (por exemplo, plaquetas < 20.000/mm³);
  • trombose do vaso a ser puncionado.

Jugular interna, subclávia ou femoral: qual sítio escolher

SítioVantagensDesvantagens
Veia jugular internaMenor risco de complicações. Facilmente compressível.Acesso difícil em obesos ou pescoço curto. Colabamento da veia em hipovolêmicos. Contaminação em traqueostomizados. Risco de pneumotórax.
Veia subcláviaMenor variabilidade anatômica. Melhor fixação do acesso. Menor taxa de infecções.Difícil compressão. Risco de pneumotórax. Colabamento da veia em hipovolêmicos.
Veia femoralFácil punção. Facilmente compressível. Preferência nos casos de discrasia sanguínea.Local com grande mobilidade, dificuldade de curativo e fixação. Alto potencial de contaminação.

Na leitura da tabela, a femoral é a preferida nos casos de discrasia sanguínea e é facilmente compressível. A subclávia oferece melhor fixação e menor taxa de infecções, com o custo da difícil compressão. A jugular interna fica com o menor risco de complicações.

Passo a passo da punção

  1. Assepsia. Avise o paciente (“olha o geladinho”) e explique todo o procedimento, deixando-o confortável.
  2. Campo cirúrgico. Coloque o campo estéril e oriente o paciente a não se mover muito e a não se sentir “sufocado” nos acessos altos.
  3. Botão anestésico. Avise (“vou dar uma picadinha e vai arder um pouco”), entre sempre aspirando com a seringa e aplique a quantidade adequada de anestésico.
  4. Ultrassom. Se disponível, use-o para localizar a veia e observar a progressão da agulha.
  5. Inserção da agulha. Entre pela pele aspirando, com pressão firme e estável. Ao atingir o vaso, confira se é venoso pela cor e pela pressão de saída. Em hipoxemia intensa, o sangue arterial pode estar mais escuro.
  6. Fio-guia. Introduza o fio-guia, progredindo por volta de 20 cm. Se não progredir, reduza levemente o ângulo da agulha e tente de novo. Depois, retire a agulha.
  7. Dilatação. Avise (“vai sentir uma pressão agora”) e dilate a pele e o trajeto pelo fio-guia. Pode ser necessária uma leve abertura da pele com lâmina de bisturi.
  8. Retire o dilatador, mantendo o fio-guia.
  9. Cateter definitivo. Introduza com cuidado, sem perder a extremidade distal do fio-guia.
  10. Teste fluxo e refluxo e salinize as vias do cateter.
  11. Fixe o cateter com pontos, seguindo as especificações do fabricante.
  12. Limpe o sítio de punção com clorexidina alcoólica e faça o curativo.
  13. Raio-x de tórax para conferir o posicionamento e descartar complicações, se acesso alto.
  14. Registre o procedimento detalhado no prontuário.

Indicação certa, sítio pelo perfil do paciente, fio-guia sem soltar e raio-x de tórax depois do acesso alto.

Quando parar

O guia orienta considerar a interrupção do procedimento após algumas tentativas malsucedidas e se houver punção arterial inadvertida, que deve sempre ser seguida de compressão local prolongada.

Na UTI e no plantão

A ficha completa está no Guia Prático de Terapia Intensiva da Plataforma. O Guia de Procedimentos 2026 traz o acesso venoso central por Seldinger guiado por ultrassom no capítulo de acessos vasculares, com referências sem ultrassom e complicações.

Perguntas frequentes

Quando indicar acesso venoso central?

Quando o acesso periférico não atende às demandas urgentes. O guia lista monitoração da saturação venosa central na sepse grave e no choque séptico, Swan-Ganz, nutrição parenteral, drogas vasoativas, hemodiálise, plasmaférese, marca-passo transvenoso e hipovolemia sem acesso periférico.

Qual o melhor sítio para acesso venoso central?

Depende do paciente. A jugular interna tem menor risco de complicações e é compressível; a subclávia tem melhor fixação e menor taxa de infecções, mas é de difícil compressão; a femoral é preferida na discrasia sanguínea, com alto potencial de contaminação.

Plaquetopenia contraindica acesso central?

O guia cita coagulopatia não corrigida, como plaquetas < 20.000/mm³, como contraindicação relativa, a ser pesada no risco-benefício. Nos casos de discrasia sanguínea, o guia dá preferência à femoral, que é facilmente compressível.

Precisa de raio-x depois do acesso central?

Nos acessos altos, sim. O guia pede raio-x de tórax para conferir o posicionamento do cateter e descartar complicações.

Fontes

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