Acesso venoso central: indicações, escolha do sítio e passo a passo da punção
Resposta rápida
O acesso venoso central só deve ser puncionado quando o acesso periférico não atende às demandas urgentes. Indicações incluem drogas vasoativas, nutrição parenteral, hemodiálise e marca-passo transvenoso. A jugular interna tem menor risco de complicações, a subclávia menor taxa de infecção e a femoral é preferida na discrasia sanguínea. Em acesso alto, pedir raio-x de tórax.
Passar um cateter venoso central é procedimento de rotina na UTI e na sala vermelha, mas a decisão começa antes da agulha: precisa mesmo de acesso central, e em qual veia? O Guia Prático de Terapia Intensiva da plataforma responde as duas perguntas e depois descreve a punção passo a passo, com as falas para o paciente.
O princípio que abre a ficha é simples: a punção venosa profunda só deve ser feita quando um acesso venoso periférico não for capaz de atender às demandas urgentes.
Indicações do acesso venoso central
- monitoração da saturação venosa central de oxigênio para a reanimação precoce da sepse grave e do choque séptico;
- medidas hemodinâmicas e cateterização de artéria pulmonar (Swan-Ganz);
- nutrição parenteral total e uso de drogas vasoativas;
- hemodiálise e plasmaférese;
- passagem de marca-passo transvenoso;
- hipovolemia na impossibilidade de acesso venoso periférico.
Contraindicações relativas
O guia classifica as contraindicações como relativas, para dosar risco e benefício:
- infecção na região de realização do procedimento;
- coagulopatia não corrigida (por exemplo, plaquetas < 20.000/mm³);
- trombose do vaso a ser puncionado.
Jugular interna, subclávia ou femoral: qual sítio escolher
| Sítio | Vantagens | Desvantagens |
|---|---|---|
| Veia jugular interna | Menor risco de complicações. Facilmente compressível. | Acesso difícil em obesos ou pescoço curto. Colabamento da veia em hipovolêmicos. Contaminação em traqueostomizados. Risco de pneumotórax. |
| Veia subclávia | Menor variabilidade anatômica. Melhor fixação do acesso. Menor taxa de infecções. | Difícil compressão. Risco de pneumotórax. Colabamento da veia em hipovolêmicos. |
| Veia femoral | Fácil punção. Facilmente compressível. Preferência nos casos de discrasia sanguínea. | Local com grande mobilidade, dificuldade de curativo e fixação. Alto potencial de contaminação. |
Na leitura da tabela, a femoral é a preferida nos casos de discrasia sanguínea e é facilmente compressível. A subclávia oferece melhor fixação e menor taxa de infecções, com o custo da difícil compressão. A jugular interna fica com o menor risco de complicações.
Passo a passo da punção
- Assepsia. Avise o paciente (“olha o geladinho”) e explique todo o procedimento, deixando-o confortável.
- Campo cirúrgico. Coloque o campo estéril e oriente o paciente a não se mover muito e a não se sentir “sufocado” nos acessos altos.
- Botão anestésico. Avise (“vou dar uma picadinha e vai arder um pouco”), entre sempre aspirando com a seringa e aplique a quantidade adequada de anestésico.
- Ultrassom. Se disponível, use-o para localizar a veia e observar a progressão da agulha.
- Inserção da agulha. Entre pela pele aspirando, com pressão firme e estável. Ao atingir o vaso, confira se é venoso pela cor e pela pressão de saída. Em hipoxemia intensa, o sangue arterial pode estar mais escuro.
- Fio-guia. Introduza o fio-guia, progredindo por volta de 20 cm. Se não progredir, reduza levemente o ângulo da agulha e tente de novo. Depois, retire a agulha.
- Dilatação. Avise (“vai sentir uma pressão agora”) e dilate a pele e o trajeto pelo fio-guia. Pode ser necessária uma leve abertura da pele com lâmina de bisturi.
- Retire o dilatador, mantendo o fio-guia.
- Cateter definitivo. Introduza com cuidado, sem perder a extremidade distal do fio-guia.
- Teste fluxo e refluxo e salinize as vias do cateter.
- Fixe o cateter com pontos, seguindo as especificações do fabricante.
- Limpe o sítio de punção com clorexidina alcoólica e faça o curativo.
- Raio-x de tórax para conferir o posicionamento e descartar complicações, se acesso alto.
- Registre o procedimento detalhado no prontuário.
Indicação certa, sítio pelo perfil do paciente, fio-guia sem soltar e raio-x de tórax depois do acesso alto.
Quando parar
O guia orienta considerar a interrupção do procedimento após algumas tentativas malsucedidas e se houver punção arterial inadvertida, que deve sempre ser seguida de compressão local prolongada.
Na UTI e no plantão
A ficha completa está no Guia Prático de Terapia Intensiva da Plataforma. O Guia de Procedimentos 2026 traz o acesso venoso central por Seldinger guiado por ultrassom no capítulo de acessos vasculares, com referências sem ultrassom e complicações.
Perguntas frequentes
Quando indicar acesso venoso central?
Quando o acesso periférico não atende às demandas urgentes. O guia lista monitoração da saturação venosa central na sepse grave e no choque séptico, Swan-Ganz, nutrição parenteral, drogas vasoativas, hemodiálise, plasmaférese, marca-passo transvenoso e hipovolemia sem acesso periférico.
Qual o melhor sítio para acesso venoso central?
Depende do paciente. A jugular interna tem menor risco de complicações e é compressível; a subclávia tem melhor fixação e menor taxa de infecções, mas é de difícil compressão; a femoral é preferida na discrasia sanguínea, com alto potencial de contaminação.
Plaquetopenia contraindica acesso central?
O guia cita coagulopatia não corrigida, como plaquetas < 20.000/mm³, como contraindicação relativa, a ser pesada no risco-benefício. Nos casos de discrasia sanguínea, o guia dá preferência à femoral, que é facilmente compressível.
Precisa de raio-x depois do acesso central?
Nos acessos altos, sim. O guia pede raio-x de tórax para conferir o posicionamento do cateter e descartar complicações.
Fontes
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