Pressão arterial invasiva: indicações, sítio de punção, técnica e teste da onda quadrada
Resposta rápida
A pressão arterial invasiva é indicada quando há necessidade de PA contínua, instabilidade hemodinâmica com drogas vasoativas ou coleta de 4 ou mais gasometrias por dia. A radial, com cateter de 20 a 22 G, tem boa circulação colateral e risco mínimo de lesão nervosa. Confira a curva pelo teste da onda quadrada: o normal são 2 a 3 ondulações negativas.
No paciente em choque, a pressão medida pelo manguito pode não acompanhar o que acontece de fato. O guia de Terapia Intensiva da Plataforma lembra que a medida não invasiva sofre influência de vários fatores e varia de forma significativa no choque e nas arritmias cardíacas. Por isso a canulação arterial é recomendada nesses pacientes: ela dá medidas mais precisas e permite decisões terapêuticas imediatas.
Abaixo, o que o guia traz sobre a pressão arterial invasiva (PAI): indicações, contraindicações, escolha do sítio, passo a passo na radial e na femoral, teste da onda quadrada e como zerar o sistema.
Pressão arterial invasiva: indicações
- necessidade de mensuração contínua da PA;
- instabilidade hemodinâmica e uso de drogas vasoativas (DVA);
- coleta de 4 ou mais gasometrias arteriais diárias.
Contraindicações
- coagulopatia;
- tromboses (vasculites);
- alterações anatômicas;
- sítio de punção infectado;
- insuficiência vascular periférica.
Qual artéria puncionar
| Artéria | Vantagens | Desvantagens | Cateter |
|---|---|---|---|
| Radial | Fácil acesso, boa circulação colateral, risco mínimo de lesão nervosa, conforto ao paciente | Artefatos (localização periférica e calibre reduzido), exacerbação de síndrome do túnel do carpo | 20 a 22 G |
| Axilar | Boa circulação contralateral, medida fidedigna da raiz da aorta, palpável com pulsos periféricos ausentes no choque | Acesso difícil, maior risco de embolia cerebral e lesão nervosa, maior desconforto | 18 a 20 G |
| Femoral | Fácil acesso, palpável na hipotensão, maior calibre com menor risco de trombose, menos vasoespasmo | Hematoma retroperitoneal, risco de lesão nervosa e contaminação | 16 a 18 G |
| Pediosa | Fácil acesso, boa circulação colateral, menor risco de lesão nervosa | Ausente em alguns pacientes (12%), mais artefatos (periférica e distante da aorta) | 20 a 22 G |
Passo a passo na artéria radial
- Posicione a mão com leve dorsiflexão do punho, de preferência no membro não dominante, com auxílio de coxim.
- Palpe a artéria ao longo do percurso até o ponto em que ela penetra no retináculo flexor, a 1 cm proximal à prega do punho.
- Introduza a agulha no ponto demarcado, com bisel para cima, em ângulo de 30° a 45° com a pele.
- Com o refluxo de sangue, reduza o ângulo para 15°.
- Mantenha a mão firme, retire a seringa e observe o sangue, que deve fluir livre e pulsátil.
- Havendo fio guia, introduza lentamente e sem resistência, o suficiente para garantir o trajeto do cateter.
- Retire a agulha segurando o fio guia firme, vista o fio com o cateter e, antes de inseri-lo na pele, exteriorize um pequeno pedaço do fio por um dos lúmens, segurando-o durante a inserção. Com o cateter todo inserido, retire o fio guia.
- Conecte ao sistema pressurizado já preenchido com soro e observe a curva no monitor.
- Fixe o cateter com sutura nas aletas e faça o curativo (sem kit específico, fixe apenas com o curativo). Recheque a curva.
O que muda na artéria femoral
Na femoral, o paciente fica em decúbito dorsal horizontal, com leve rotação lateral do membro. A artéria é palpada no triângulo femoral, lateral à veia femoral. A agulha entra com direcionamento cranial, bisel para cima, a 30° a 45° com a pele. Após a punção, observe fluxo pulsátil e vermelho-vivo e introduza o fio guia sem resistência. Pode ser necessária uma pequena dilatação da pele para passar o cateter. A técnica de vestir o fio guia, conectar, fixar e rechecar a curva é a mesma, e o curativo é oclusivo.
Teste da onda quadrada
O teste avalia a onda de pressão enquanto se irriga rapidamente o cateter (flushing). Puxe o "rabicho" do transdutor por alguns segundos e solte. O traçado deve subir rápido e, ao interromper o flush, cair rápido, em padrão quadriculado. Depois, avalie a descida no fim da onda:
| Curva | Ondulações negativas | Efeito na leitura | Causas |
|---|---|---|---|
| Normal | 2 a 3 antes de voltar ao zero | — | — |
| Amortecida (overdamped) | nenhuma | subestima PAs e superestima PAd | cateter dobrado, coágulo ou bolha, pressão reduzida na bolsa pressórica |
| Subamortecida (underdamped) | > 3 | superestima PAs e subestima PAd | circuito muito extenso, vasoconstrição, sistema defeituoso |
No teste da onda quadrada, a curva amortecida subestima a sistólica e a subamortecida superestima.
Orientações gerais e como zerar a PAI
- manter pressão de 300 mmHg;
- transdutor no eixo flebostático (4º espaço intercostal na linha axilar média);
- trocar a salina se o volume estiver < 25%.
Para zerar, o guia segue esta sequência: posicionar no eixo flebostático, fechar o circuito para o paciente, abrir para o ambiente, zerar a PAI no monitor, abrir o circuito para o paciente e fechar para o ambiente.
Para ter à mão
O passo a passo da PAI, com a tabela de sítios e o teste da onda quadrada, está no guia de Terapia Intensiva da Plataforma. Para os acessos em PDF, o Guia de Procedimentos 2026 tem um módulo de acessos vasculares que inclui a punção arterial.
Perguntas frequentes
Quando indicar pressão arterial invasiva?
O guia indica a PAI quando há necessidade de mensuração contínua da PA, instabilidade hemodinâmica com uso de drogas vasoativas ou coleta de 4 ou mais gasometrias arteriais por dia. Ela é recomendada no paciente em choque, em que a medida não invasiva pode variar muito.
Qual o calibre do cateter para PAI radial?
De 20 a 22 G na radial e na pediosa, de 18 a 20 G na axilar e de 16 a 18 G na femoral, segundo a tabela do guia.
Como interpretar o teste da onda quadrada?
A curva normal tem 2 a 3 ondulações negativas antes de voltar ao zero. Sem ondulações, a curva está amortecida e subestima a PAs; com mais de 3, está subamortecida e superestima a PAs.
Onde posicionar o transdutor da PAI?
No eixo flebostático, no 4º espaço intercostal na linha axilar média. É nessa posição que se zera o sistema, fechando o circuito para o paciente e abrindo para o ambiente.
Fontes
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