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Pressão arterial invasiva: indicações, sítio de punção, técnica e teste da onda quadrada

Equipe Médicos do Futuro Redação clínica Publicado em · 4 min de leitura

Resposta rápida

A pressão arterial invasiva é indicada quando há necessidade de PA contínua, instabilidade hemodinâmica com drogas vasoativas ou coleta de 4 ou mais gasometrias por dia. A radial, com cateter de 20 a 22 G, tem boa circulação colateral e risco mínimo de lesão nervosa. Confira a curva pelo teste da onda quadrada: o normal são 2 a 3 ondulações negativas.

No paciente em choque, a pressão medida pelo manguito pode não acompanhar o que acontece de fato. O guia de Terapia Intensiva da Plataforma lembra que a medida não invasiva sofre influência de vários fatores e varia de forma significativa no choque e nas arritmias cardíacas. Por isso a canulação arterial é recomendada nesses pacientes: ela dá medidas mais precisas e permite decisões terapêuticas imediatas.

Abaixo, o que o guia traz sobre a pressão arterial invasiva (PAI): indicações, contraindicações, escolha do sítio, passo a passo na radial e na femoral, teste da onda quadrada e como zerar o sistema.

Pressão arterial invasiva: indicações

  • necessidade de mensuração contínua da PA;
  • instabilidade hemodinâmica e uso de drogas vasoativas (DVA);
  • coleta de 4 ou mais gasometrias arteriais diárias.

Contraindicações

  • coagulopatia;
  • tromboses (vasculites);
  • alterações anatômicas;
  • sítio de punção infectado;
  • insuficiência vascular periférica.

Qual artéria puncionar

ArtériaVantagensDesvantagensCateter
RadialFácil acesso, boa circulação colateral, risco mínimo de lesão nervosa, conforto ao pacienteArtefatos (localização periférica e calibre reduzido), exacerbação de síndrome do túnel do carpo20 a 22 G
AxilarBoa circulação contralateral, medida fidedigna da raiz da aorta, palpável com pulsos periféricos ausentes no choqueAcesso difícil, maior risco de embolia cerebral e lesão nervosa, maior desconforto18 a 20 G
FemoralFácil acesso, palpável na hipotensão, maior calibre com menor risco de trombose, menos vasoespasmoHematoma retroperitoneal, risco de lesão nervosa e contaminação16 a 18 G
PediosaFácil acesso, boa circulação colateral, menor risco de lesão nervosaAusente em alguns pacientes (12%), mais artefatos (periférica e distante da aorta)20 a 22 G

Passo a passo na artéria radial

  1. Posicione a mão com leve dorsiflexão do punho, de preferência no membro não dominante, com auxílio de coxim.
  2. Palpe a artéria ao longo do percurso até o ponto em que ela penetra no retináculo flexor, a 1 cm proximal à prega do punho.
  3. Introduza a agulha no ponto demarcado, com bisel para cima, em ângulo de 30° a 45° com a pele.
  4. Com o refluxo de sangue, reduza o ângulo para 15°.
  5. Mantenha a mão firme, retire a seringa e observe o sangue, que deve fluir livre e pulsátil.
  6. Havendo fio guia, introduza lentamente e sem resistência, o suficiente para garantir o trajeto do cateter.
  7. Retire a agulha segurando o fio guia firme, vista o fio com o cateter e, antes de inseri-lo na pele, exteriorize um pequeno pedaço do fio por um dos lúmens, segurando-o durante a inserção. Com o cateter todo inserido, retire o fio guia.
  8. Conecte ao sistema pressurizado já preenchido com soro e observe a curva no monitor.
  9. Fixe o cateter com sutura nas aletas e faça o curativo (sem kit específico, fixe apenas com o curativo). Recheque a curva.

O que muda na artéria femoral

Na femoral, o paciente fica em decúbito dorsal horizontal, com leve rotação lateral do membro. A artéria é palpada no triângulo femoral, lateral à veia femoral. A agulha entra com direcionamento cranial, bisel para cima, a 30° a 45° com a pele. Após a punção, observe fluxo pulsátil e vermelho-vivo e introduza o fio guia sem resistência. Pode ser necessária uma pequena dilatação da pele para passar o cateter. A técnica de vestir o fio guia, conectar, fixar e rechecar a curva é a mesma, e o curativo é oclusivo.

Teste da onda quadrada

O teste avalia a onda de pressão enquanto se irriga rapidamente o cateter (flushing). Puxe o "rabicho" do transdutor por alguns segundos e solte. O traçado deve subir rápido e, ao interromper o flush, cair rápido, em padrão quadriculado. Depois, avalie a descida no fim da onda:

CurvaOndulações negativasEfeito na leituraCausas
Normal2 a 3 antes de voltar ao zero——
Amortecida (overdamped)nenhumasubestima PAs e superestima PAdcateter dobrado, coágulo ou bolha, pressão reduzida na bolsa pressórica
Subamortecida (underdamped)> 3superestima PAs e subestima PAdcircuito muito extenso, vasoconstrição, sistema defeituoso

No teste da onda quadrada, a curva amortecida subestima a sistólica e a subamortecida superestima.

Orientações gerais e como zerar a PAI

  • manter pressão de 300 mmHg;
  • transdutor no eixo flebostático (4º espaço intercostal na linha axilar média);
  • trocar a salina se o volume estiver < 25%.

Para zerar, o guia segue esta sequência: posicionar no eixo flebostático, fechar o circuito para o paciente, abrir para o ambiente, zerar a PAI no monitor, abrir o circuito para o paciente e fechar para o ambiente.

Para ter à mão

O passo a passo da PAI, com a tabela de sítios e o teste da onda quadrada, está no guia de Terapia Intensiva da Plataforma. Para os acessos em PDF, o Guia de Procedimentos 2026 tem um módulo de acessos vasculares que inclui a punção arterial.

Perguntas frequentes

Quando indicar pressão arterial invasiva?

O guia indica a PAI quando há necessidade de mensuração contínua da PA, instabilidade hemodinâmica com uso de drogas vasoativas ou coleta de 4 ou mais gasometrias arteriais por dia. Ela é recomendada no paciente em choque, em que a medida não invasiva pode variar muito.

Qual o calibre do cateter para PAI radial?

De 20 a 22 G na radial e na pediosa, de 18 a 20 G na axilar e de 16 a 18 G na femoral, segundo a tabela do guia.

Como interpretar o teste da onda quadrada?

A curva normal tem 2 a 3 ondulações negativas antes de voltar ao zero. Sem ondulações, a curva está amortecida e subestima a PAs; com mais de 3, está subamortecida e superestima a PAs.

Onde posicionar o transdutor da PAI?

No eixo flebostático, no 4º espaço intercostal na linha axilar média. É nessa posição que se zera o sistema, fechando o circuito para o paciente e abrindo para o ambiente.

Fontes

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