Lesão por pressão: prevenção com escore de Braden e protocolo na UTI
Resposta rápida
A prevenção da lesão por pressão começa pela escala de Braden. Com escore < 13, há risco e o guia orienta iniciar o protocolo: inspeção diária da pele, paciente seco e pele hidratada, otimização nutricional, minimizar a pressão, mudança de decúbito de 2/2h e prevenção de fricção e cisalhamento. Escore > 13 pede medidas gerais e reavaliação.
Lesão por pressão costuma ser vista como assunto da enfermagem, e o guia de terapia intensiva da plataforma reconhece isso: é uma área predominantemente dominada pela equipe de enfermagem. Mas o mesmo guia é claro ao dizer que o médico deve reconhecer o risco e realizar a profilaxia junto com a equipe multidisciplinar.
Abaixo, o que o guia orienta: por que a lesão importa, como estratificar o risco e quais medidas entram no protocolo de prevenção.
O que é a lesão por pressão
A úlcera por pressão, também conhecida como escara, é uma lesão causada pelo contato prolongado das partes moles do corpo (pele, tecido subcutâneo e músculos) com superfícies rígidas, como colchões.
Por que a prevenção importa
O guia lista as consequências da lesão por pressão:
- A lesão pode servir de porta de entrada para microrganismos, aumentando o risco de infecções.
- Causa dor e desconforto.
- Prolonga o período de internação.
- Dificulta a recuperação do paciente.
Lesão por pressão: prevenção pelo escore de Braden
A avaliação de risco é feita pela escala de Braden, e o fluxograma do guia divide os pacientes em três caminhos:
| Situação | Classificação | Conduta |
|---|---|---|
| Escore > 13 | Sem risco de LPP | Medidas gerais para pacientes internados e reavaliação do risco posteriormente |
| Escore < 13 | Com risco de LPP | Iniciar o protocolo de prevenção |
| LPP já presente, independentemente do escore | — | Tratamento direcionado ao estágio da lesão, com equipe multidisciplinar |
Dois pontos do fluxograma merecem destaque. O primeiro: mesmo sem risco, o paciente não sai do radar, porque o guia prevê reavaliação posterior. O segundo: se a lesão já existe, o escore deixa de guiar a conduta, e o foco passa a ser o estágio da lesão.
O protocolo de prevenção
Para o paciente com escore < 13, o guia orienta iniciar o protocolo de prevenção com seis medidas:
- Inspeção diária da pele.
- Manutenção do paciente seco e da pele hidratada.
- Otimização nutricional.
- Minimizar a pressão.
- Mudança de decúbito de 2/2h.
- Prevenção de fricção e cisalhamento.
A lista aparece igual no fluxograma e no quadro do protocolo de prevenção do guia, e as seis medidas valem para o paciente classificado com risco de LPP, isto é, com escore abaixo de 13.
Braden abaixo de 13 é gatilho para protocolo, não apenas um número no prontuário.
Papel do médico
O guia reconhece que a lesão por pressão é uma área predominantemente dominada pela equipe de enfermagem. Ainda assim, afirma que o profissional médico deve reconhecer e realizar a profilaxia junto com a equipe multidisciplinar, e o fluxograma volta a citar essa equipe quando a lesão já está presente e o tratamento é direcionado ao estágio da lesão.
Erros comuns na prática
- Deixar o Braden só com a enfermagem. O guia atribui ao médico o reconhecimento e a profilaxia, junto com a equipe.
- Não reavaliar quem estava sem risco. O fluxograma prevê reavaliação posterior para o escore > 13.
- Aplicar só parte do protocolo. São seis medidas, e a mudança de decúbito é apenas uma delas.
- Continuar guiando pelo escore quando a lesão já existe. Nesse caso, o tratamento é direcionado ao estágio da lesão.
Na UTI
O fluxograma de profilaxia de lesão por pressão, com a escala de Braden e o protocolo de prevenção, está no guia de terapia intensiva da Plataforma Guias de Bolso, a assinatura anual que reúne prescrições, fluxogramas, calculadoras e guias clínicos para a rotina de internação.
Perguntas frequentes
Qual escore de Braden indica risco de lesão por pressão?
No fluxograma do guia, escore < 13 indica risco de LPP e leva ao protocolo de prevenção. Escore > 13 é classificado como sem risco, com medidas gerais e reavaliação posterior.
Quais medidas fazem parte do protocolo de prevenção?
Inspeção diária da pele, manutenção do paciente seco e da pele hidratada, otimização nutricional, minimizar a pressão, mudança de decúbito de 2/2h e prevenção de fricção e cisalhamento.
Prevenir lesão por pressão também é papel do médico?
Sim. O guia reconhece que a área é predominantemente da enfermagem, mas afirma que o médico deve reconhecer e realizar a profilaxia junto com a equipe multidisciplinar.
E se a lesão já estiver presente?
Independentemente do escore, o tratamento passa a ser direcionado ao estágio da lesão, com a equipe multidisciplinar.
Fontes
- Plataforma Guias de Bolso — Médicos do Futuro
- Ministério da Saúde. Anvisa. Fiocruz. NOTA TÉCNICA GVIMS/GGTES No 03/2017. PRÁTICAS SEGURAS PARA PREVENÇÃO DE LESÃO POR PRESSÃO EM SERVIÇOS DE SAÚDE, 2017.
- Disciplina de Emergências Clínicas - Hospital das Clínicas da FMUSP. Medicina intensiva: abordagem prática. 2a ed. São Paulo: Manole, 2015.
- Manual da residência de medicina intensiva / editores Andréa Remigio de Oliveira ... [et al.]. - 6. ed. rev. e ampl. - Barueri [SP] : Manole, 2020.
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