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Mão segurando um inalador pressurizado de dose medida, a bombinha da asma

PCDT 2026 da asma: o SABA isolado saiu do tratamento recomendado

Equipe Médicos do Futuro Redação clínica Publicado em · atualizado em · 4 min de leitura

Resposta rápida

O PCDT da asma de 2026 diz que não é recomendado tratar asma apenas com SABA, pelo risco aumentado de exacerbação grave e morte. A dupla terapia com corticoide inalatório e LABA passou a ser o regime de preferência, inclusive para quem já usa salbutamol isolado há anos.

Tem uma frase no novo PCDT da asma que vale ler devagar:

"Não é recomendado tratar a asma apenas com SABA, devido ao risco aumentado de exacerbações graves e morte."

Não é a GINA. Não é um consenso de sociedade. É o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Ministério da Saúde, a norma que vincula no SUS, publicada na Portaria Conjunta SAES/SCTIE nº 43, de 24/03/2026, no DOU de 02/04/2026.

E aqui está a parte incômoda: se você atende na atenção primária, você tem paciente na sua lista que usa salbutamol isolado há anos. Provavelmente vários. Alguns pegam a bombinha na farmácia da unidade sem nem passar em consulta.

O que entrou no lugar

Dupla terapia CI + LABA passou a ser o regime de preferência. Não é mais alternativa para quem não controla. É o padrão.

O protocolo também recomendou o esquema MART — corticoide inalatório com formoterol em dose baixa, o mesmo dispositivo servindo como alívio e como manutenção.

E fez uma coisa que muda o desenho da rede: definiu a atenção primária como espaço prioritário de manejo da asma. O paciente asmático deixou de ser caso para encaminhar por definição.

O tratamento ficou organizado em cinco etapas para adultos, adolescentes e crianças de 6 a 11 anos, e quatro etapas para menores de 5 anos, em dois tracks conforme o medicamento de alívio.

A tabela posológica por etapa está no Anexo do protocolo, não no corpo da portaria. Pegue o anexo antes de montar esquema — eu não vou estimar dose aqui.

Os critérios de asma grave, que definem quem você encaminha

ParâmetroLimiar no protocolo
Budesonida ou equivalente, ≥ 12 anos≥ 800 mcg/dia
Budesonida ou equivalente, 6–11 anos400 mcg/dia
Corticoide oral≥ 5 mg/dia de prednisolona
Teste terapêutico em ≤ 5 anosBeclometasona 100 mcg a cada 12 horas

Para asma grave, foram incorporados mepolizumabe, benralizumabe, dupilumabe e omalizumabe. Uso especializado, não APS — mas agora existe para onde encaminhar com expectativa real de tratamento.

O protocolo também passou a reconhecer apneia obstrutiva do sono como comorbidade em asma grave. Se o paciente não controla e ronca, tem uma pergunta nova para fazer.

Quando encaminhar: asma grave ou de difícil controle, suspeita de asma ocupacional, incerteza diagnóstica, ou resposta inadequada depois de 2 a 3 meses. Apoio pelo Telessaúde Brasil Redes no 0800 644 6543.

O estudo que sustenta o MART

Se alguém te perguntar por que abandonar o SABA isolado, o número é este.

O estudo CARE mostrou redução de cerca de 50% em exacerbações moderadas e graves com budesonida-formoterol por demanda, comparado a SABA isolado.

Metade. Em crianças de 6 a 11 anos.

O GINA 2026 incorporou isso na estrutura de tracks para essa faixa: Track 1, preferencial, é ICS-formoterol em dose baixa como AIR/MART — alívio e manutenção no mesmo inalador. O Step 1 já inclui ICS-formoterol dose baixa por demanda, ou ICS-SABA dose baixa por demanda. O Track 2 mantém aliviador separado com ICS diário, o que significa dois inaladores nos Steps 2 a 5.

Em menores de 5 anos, atenção: o AIR/MART não é recomendado nessa faixa.

A conversa difícil que você vai ter

O paciente que usa salbutamol há oito anos e diz que "funciona" não está mentindo. Funciona mesmo — para o sintoma, naquele momento. O SABA abre o brônquio.

O que ele não faz é tratar a inflamação. E é a inflamação não tratada que produz a exacerbação grave, aquela que chega na emergência e que, em alguma fração dos casos, mata.

Explicar isso em dez minutos de consulta, para alguém que está satisfeito com o tratamento atual, é mais difícil do que escolher o esquema novo.

O que mudou junto, e que ninguém está falando

O PCDT da asma não veio sozinho. Em doze meses, a atenção primária recebeu:

PublicadoO que
22/10/2025PCDT de osteoporose revisado, com FRAX® brasileiro e romosozumabe
27/11/2025PCDT de DPOC revisado — terapia tripla fixa entrou no SUS
27/11/2025PCDT de dermatite atópica, o primeiro nacional
24/02/2026 (DOU)PCDT de DM2 novo — gliclazida MR preferida à glibenclamida
03–05/03/2026Implante de etonogestrel ancorado na APS, inserível por enfermeiro habilitado
02/04/2026 (DOU)PCDT da asma
13/07/2026Insulina glargina em oferta nacional, dispensada na própria UBS
14/09/2026VPC20 para pessoas a partir de 85 anos

Oito mudanças de conduta em doze meses, todas na sua rotina, nenhuma delas anunciada em algum lugar que você necessariamente leu.

Ninguém acompanha isso sozinho

Eu levantei essa lista de propósito. Não é para assustar, é para mostrar o tamanho do trabalho.

Oito portarias, cada uma com anexo posológico, publicadas em datas diferentes, em páginas diferentes do gov.br, algumas com a listagem carregando por JavaScript que nem abre no celular.

O UBS de Bolso 2026 é a alternativa prática. As prescrições organizadas por queixa, no ebook que abre no celular, com a conduta que está valendo — não a de três anos atrás.

Asma, DPOC, DM2, hipertensão, dermatoses, saúde mental. O que você atende de verdade na unidade, com a dose escrita para consultar entre um paciente e outro.

Perguntas frequentes

Paciente que usa salbutamol isolado há anos precisa mudar de esquema?

Pelo protocolo, sim. O PCDT registra que não é recomendado tratar a asma apenas com SABA, devido ao risco aumentado de exacerbações graves e morte. A dupla terapia com corticoide inalatório e LABA passou a ser o regime de preferência.

O que é o esquema MART previsto no protocolo?

É o uso de corticoide inalatório com formoterol em dose baixa, com o mesmo dispositivo servindo tanto como alívio quanto como manutenção.

Fontes

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