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Cão e gato deitados lado a lado na calçada

Mordedura de cão e gato: quando fazer profilaxia com antibiótico

Equipe Médicos do Futuro Redação clínica Publicado em · 5 min de leitura

Resposta rápida

Pelo guia da Anvisa, mordeduras superficiais — que não atravessaram a epiderme nem provocaram sangramento — não necessitam de profilaxia antimicrobiana. Mordeduras profundas sem sinais de infecção recebem profilaxia por 3 dias, e mordeduras com sinais de infecção recebem tratamento por 5 a 7 dias, com amoxicilina-clavulanato como primeira escolha. O risco de infecção é alto, especialmente nas mordeduras por gatos.

Mordedura de animal é um atendimento em que três decisões acontecem ao mesmo tempo: o que fazer com a ferida, se entra antibiótico e qual profilaxia — tétano, raiva ou ambas. O guia da Anvisa organiza as três, e começa por um aviso epidemiológico: alto risco de evoluir com infecção, especialmente em mordeduras por gatos.

Os agentes envolvidos justificam a escolha do esquema: Staphylococcus spp, Streptococcus spp, Pasteurella multocida, Pasteurella canis, Eikenella corrodens, Capnocytophaga spp, Bartonella henselae e anaeróbios.

Primeiro, a ferida

  1. Avaliar a extensão, a profundidade da lesão e a presença de sinais de infecção, a espécie animal envolvida e as circunstâncias da mordida.
  2. Limpeza vigorosa imediata, com degermante ou sabão, e irrigação com soro fisiológico — mesmo que o paciente já tenha realizado higienização prévia.
  3. Se houver necessidade de sutura, realizá-la depois da infiltração de soro ou imunoglobulina antirrábica na ferida, quando indicado.
  4. Lesões complexas ou em face: encaminhar para avaliação com cirurgião.

A ordem importa: suturar antes da infiltração antirrábica fecha a ferida sem o que deveria estar dentro dela.

A regra do antimicrobiano

O guia define os dois tipos de mordedura antes de decidir:

  • Superficiais — não atravessaram a epiderme nem provocaram sangramento. Não necessitam profilaxia com antimicrobiano.
  • Profundas — as que não se encaixam na definição de superficiais.

A partir daí:

  • Profunda sem sinais de infecção → iniciar profilaxia.
  • Com sinais de infecção → iniciar tratamento.

Os esquemas

  • Amoxicilina-clavulanato (primeira escolha) — adulto: 500/125 mg VO 8/8h, 3 dias se profilaxia, 5 a 7 dias se tratamento. Criança: 50 a 90 mg/kg/dia (componente amoxicilina) VO dividido de 8/8h, 3 dias se profilaxia e 5 a 7 dias se tratamento.
  • Em caso de alergia — adulto: clindamicina 300 a 450 mg VO 8/8h associada a ciprofloxacino 500 mg VO 12/12h, ou a sulfametoxazol-trimetoprim 800/160 mg VO 12/12h, com a mesma regra de duração. Na criança, prefere-se clindamicina 30 a 40 mg/kg/dia dividida de 6/6h ou 8/8h com sulfametoxazol-trimetoprim 8 a 12 mg/kg/dia do componente trimetoprim, dividido de 12/12h.

Profilaxia do tétano

A conduta segue a história de imunização: com menos de 3 doses ou história incerta, indicam-se vacina e imunoglobulina humana antitetânica.

  • Abaixo de sete anos: tríplice (DPT) ou dupla tipo infantil (DT), se o componente pertussis for contraindicado.
  • A partir dos sete anos: dupla tipo adulto (dT).
  • Imunoglobulina humana antitetânica: 250 unidades, por via intramuscular, independentemente do peso — aplicada em local diferente daquele em que foi aplicada a vacina.

O guia registra ainda que as doses de soro e imunoglobulina são as mesmas independentemente de idade ou peso.

Profilaxia da raiva

O fluxo se divide pela possibilidade de observar o animal. Quando o animal é passível de observação por 10 dias e não apresenta sinais sugestivos de raiva, a orientação é não iniciar profilaxia: se o animal permanecer vivo e saudável até o 10º dia, encerra-se o caso; se morrer ou desaparecer nesse período, a conduta muda. Quando o animal não é passível de observação por 10 dias, ou apresenta sinais sugestivos, inicia-se a profilaxia.

No plantão

O Guia da UPA traz o atendimento da ferida, a decisão sobre antibiótico e as duas profilaxias na ordem em que acontecem no pronto atendimento.

Perguntas frequentes

Toda mordedura de cachorro precisa de antibiótico?

Não. Mordeduras superficiais — que não atravessaram a epiderme nem provocaram sangramento — não necessitam de profilaxia antimicrobiana. As profundas sem sinais de infecção recebem profilaxia por 3 dias; as com sinais de infecção, tratamento por 5 a 7 dias.

Posso suturar a ferida na hora?

Se houver necessidade de sutura, o guia orienta realizá-la depois da infiltração de soro ou imunoglobulina antirrábica na ferida, quando essa infiltração estiver indicada. Lesões complexas ou em face devem ser encaminhadas para avaliação com cirurgião.

Fontes

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