Exacerbação de pneumopatia crônica: quando entra o antibiótico
Resposta rápida
No guia da Anvisa para a APS, o antibiótico na exacerbação aguda de pneumopatia crônica é prescrito se houver aumento ou piora do aspecto da secreção. A primeira opção é amoxicilina-clavulanato associada a azitromicina ou claritromicina, por 5 dias. Havendo fatores de risco para Pseudomonas aeruginosa — uso de corticosteroides, exacerbações prévias ou hospitalização no último ano —, prescreve-se levofloxacino. A saturação de oxigênio deve ser mantida entre 88 e 92%.
Na exacerbação de pneumopatia crônica, a decisão sobre antibiótico costuma ser tomada pela intensidade da dispneia. O guia da Anvisa usa outro critério, mais específico: prescrever antibiótico se houver aumento ou piora do aspecto da secreção.
O alvo de oxigênio que surpreende
O guia fixa: manter saturação de O₂ entre 88 e 92%.
É um alvo deliberadamente mais baixo que o habitual, e vale a atenção justamente porque o reflexo de plantão é subir a oferta de oxigênio até normalizar a oximetria. Nesse paciente, isso não é o objetivo.
Dois hábitos são corrigidos na mesma linha do guia: antibiótico por dispneia e oxigênio até 98%.
O esquema
1ª opção — amoxicilina-clavulanato associada a um macrolídeo, por 5 dias:
- Adulto: amoxicilina-clavulanato 500/125 mg VO 8/8h, com azitromicina 500 mg uma vez ao dia ou claritromicina 500 mg VO 12/12h.
- Criança: amoxicilina-clavulanato 50 a 90 mg/kg/dia (calculados pelo componente de amoxicilina) divididos de 8/8h; azitromicina 12 mg/kg/dia uma vez ao dia (máximo 500 mg) ou claritromicina 15 mg/kg/dia dividido de 12/12h (máximo 500 mg).
Quando o esquema muda
O guia manda avaliar fatores de risco para Pseudomonas aeruginosa:
- Uso de corticosteroides
- Exacerbações prévias
- Hospitalização no último ano
Havendo fator de risco, prescrever levofloxacino — 500 a 750 mg uma vez ao dia no adulto. Na pediatria, o levofloxacino deve ser evitado.
Repare que não se trata de "caso mais grave": são três circunstâncias objetivas, verificáveis na anamnese, que mudam o agente provável e, por consequência, o antimicrobiano.
Na unidade
O Guia da UBS e o Guia da UPA trazem o critério da secreção, o alvo de saturação e os dois esquemas na mesma página — para decidir sem depender da impressão de gravidade.
Perguntas frequentes
Todo paciente que exacerba precisa de antibiótico?
Não. O guia condiciona a prescrição ao aumento ou à piora do aspecto da secreção. A intensidade da dispneia, isoladamente, não é o critério apresentado.
Qual a saturação-alvo nesses pacientes?
Entre 88 e 92%, conforme o guia. É um alvo mais baixo que o habitual, e conhecê-lo evita a oferta excessiva de oxigênio na tentativa de normalizar a oximetria.
Fontes
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