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Paciente em cadeira de rodas acompanhado por equipe em corredor hospitalar

Identificar sepse na APS: disfunção orgânica, SIRS e os 30 mL/kg

Equipe Médicos do Futuro Redação clínica Publicado em · 4 min de leitura

Resposta rápida

O fluxograma da Anvisa deve ser aplicado a todo paciente com suspeita ou confirmação de infecção. Identifica-se sepse quando há uma disfunção orgânica — hipotensão com PAS abaixo de 90 mmHg, alteração do nível de consciência, saturação abaixo de 90% ou dispneia importante, oligúria — ou pelo menos dois sinais de SIRS. Confirmado, prescreve-se antibiótico conforme o foco provável e inicia-se reposição volêmica com pelo menos 30 mL/kg de cristaloide, idealmente em 30 a 60 minutos.

A sepse não chega rotulada. Chega como uma infecção que parecia simples, numa unidade sem laboratório imediato, e a única coisa que muda o desfecho é o reconhecimento precoce. O guia da Anvisa traz um fluxograma para isso — e define que ele deve ser aplicado para todos os pacientes com suspeita ou confirmação de infecção.

A avaliação inicial tem dois caminhos

Basta um deles, somado à suspeita ou confirmação de infecção.

O paciente apresenta uma disfunção orgânica?

  • Hipotensão: PAS < 90 mmHg
  • Alteração do nível de consciência
  • Saturação < 90%, necessidade de O₂ ou dispneia importante
  • Oligúria: diurese < 0,5 mL/kg/h

E, se houver exames laboratoriais disponíveis: creatinina > 2 mg/dL, lactato acima do valor normal, plaquetas < 100.000, INR > 1,5 ou bilirrubinas > 2 mg/dL.

Ou o paciente apresenta pelo menos dois sinais de SIRS?

  • Febre — temperatura axilar > 37,8 °C — ou hipotermia, com temperatura central < 35 °C
  • Taquicardia: FC > 90 bpm
  • Taquipneia: FR > 20 irpm
  • Leucocitose > 12.000/mm³ ou leucopenia < 4.000/mm³

Uma disfunção orgânica já basta. Não é preciso somar duas, nem esperar o lactato voltar.

A conduta, em três passos

  1. Prescrever antibioticoterapia conforme o foco provável.
  2. Iniciar reposição volêmica precoce em pacientes com hipotensão ou lactato acima de 20 mg/dL: pelo menos 30 mL/kg de cristaloide, infundido o mais rápido possível, idealmente em 30 a 60 minutos.
  3. Encaminhar para atendimento em UPA ou hospital.

A ressalva que evita o erro oposto

O guia registra que cardiopatas podem necessitar de redução na velocidade de infusão, conforme a presença de disfunção diastólica ou sistólica moderada a grave. Nesses pacientes, o uso de vasopressores para garantir pressão de perfusão adequada eventualmente necessita ser antecipado.

Ou seja: os 30 mL/kg são o piso do protocolo, não uma ordem cega. No cardiopata, a mesma velocidade que ressuscita um paciente congestiona o outro.

Por que isso é assunto de UBS, e não só de pronto-socorro

O fluxograma foi escrito para a atenção primária justamente porque é lá que muitos desses pacientes são vistos primeiro — com uma queixa infecciosa comum e sem exame nenhum disponível. Os critérios de disfunção orgânica da lista são todos de beira de leito: pressão, consciência, saturação, diurese.

O Guia da UBS e o Guia da UPA trazem esses critérios e a sequência da conduta prontos para consultar no atendimento.

Perguntas frequentes

Preciso do lactato para identificar sepse?

Não. O lactato aparece entre os exames laboratoriais "se disponíveis". Os critérios de disfunção orgânica que abrem o fluxograma são clínicos: hipotensão com PAS abaixo de 90 mmHg, alteração do nível de consciência, saturação abaixo de 90% ou dispneia importante, e oligúria com diurese abaixo de 0,5 mL/kg/h.

O volume de 30 mL/kg vale para todo paciente?

É o mínimo previsto para quem tem hipotensão ou lactato acima de 20 mg/dL, idealmente em 30 a 60 minutos. O guia ressalva que cardiopatas podem necessitar de redução na velocidade de infusão conforme disfunção diastólica ou sistólica moderada a grave — e que nesses casos o vasopressor pode precisar ser antecipado.

Fontes

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