Dor torácica: dissecção, TEP e o erro de anticoagular cedo
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A diretriz brasileira de dor torácica de 2025 registra que a dissecção aguda de aorta tem letalidade estimada em cerca de 50% em 48 horas e que, se confundida com síndrome coronariana aguda, o uso inicial de antiagregação ou anticoagulação — contraindicado na dissecção — será deletério. Na suspeita, qualquer antiagregante ou anticoagulante deve ser adiado até a confirmação ou o descarte do diagnóstico.
O protocolo de dor torácica não existe só para encontrar infarto. Existe para não deixar passar as outras causas letais — e, principalmente, para não tratar uma como se fosse a outra.
Dissecção aguda de aorta: o erro que mata
A diretriz quantifica o risco: quando o diagnóstico não é feito, a letalidade estimada é de cerca de 50% em 48 horas. E acrescenta a armadilha específica: caso seja confundida com uma SCA, o uso inicial de antiagregação ou anticoagulação — contraindicado nos casos de dissecção — será deletério para os pacientes.
O que procurar: fatores de risco para dissecção, déficits de perfusão (diferença de pulso ou de pressão arterial entre os membros) e alargamento de mediastino.
Existem escores para apoiar a decisão — o ADD-RS (aortic dissection detection risk score) e o AORTA. A diretriz destaca que o ADD-RS contou com a inclusão de pacientes brasileiros no Instituto do Coração, o que melhora sua aplicabilidade na nossa população.
Havendo suspeita de dissecção, qualquer antiagregante ou anticoagulante deve ser adiado até a confirmação ou o descarte do diagnóstico. O reflexo de "dar AAS para toda dor torácica" é exatamente o que a diretriz interrompe aqui.
Tromboembolismo pulmonar
Outra causa de dor torácica com potencial de letalidade alto. A dor do TEP é descrita como pleurítica — aumenta com a inspiração — e de início súbito.
Situações que promovem imobilidade, como lesões e tratamentos ortopédicos ou outros pós-operatórios, aumentam a probabilidade de trombose venosa profunda com posterior embolização pulmonar.
Os escores de Wells e de Genebra podem ser usados para estratificar o risco e conduzir o fluxograma diagnóstico. Quando indicada a dosagem de D-dímero, o ponto de corte para nível positivo é ≥ 500 ng/mL (µg/L).
Síndrome coronariana aguda
É a causa mais comum de dor torácica potencialmente fatal — e por isso ocupa a maior parte do protocolo. Mas ser a mais comum é justamente o que produz o viés: é ela que se assume por padrão, e é contra esse padrão que os outros diagnósticos precisam ser ativamente procurados.
Pneumotórax hipertensivo
A diretriz o classifica como grave, devendo ser identificado e tratado imediatamente — com atenção especial ao contexto do trauma.
Takotsubo: quando o tratamento habitual piora
A síndrome do coração partido é uma cardiomiopatia que, em 2/3 dos casos, pode estar associada a fatores emocionais ou orgânicos fortes, como sepse ou hemorragia cerebral. Provoca disfunção miocárdica intensa, habitualmente com preservação dos segmentos basais do ventrículo esquerdo.
Muitas vezes o quadro é indistinguível de uma síndrome coronariana aguda, e o diagnóstico acaba sendo retrospectivo. O alerta prático da diretriz é para o choque cardiogênico: é importante conhecer a associação de até 1/5 dos casos com obstrução de via de saída do ventrículo esquerdo, que pode se agravar com a administração de inotrópicos.
O que isso muda no plantão
Três das causas acima têm em comum o fato de que a conduta reflexa da SCA — antiagregar, anticoagular, inotrópico no choque — pode piorar o paciente. O protocolo de dor torácica serve tanto para acelerar o diagnóstico certo quanto para segurar a mão antes do tratamento errado.
O Guia da UPA traz a avaliação inicial e os diferenciais na sequência do atendimento, para consultar entre um paciente e outro.
Perguntas frequentes
Posso dar AAS para toda dor torácica suspeita de infarto?
A diretriz orienta que, havendo suspeita de dissecção de aorta, qualquer antiagregante ou anticoagulante seja adiado até a confirmação ou o descarte do diagnóstico pelo fluxograma escolhido — porque a antiagregação e a anticoagulação são contraindicadas na dissecção e seu uso inicial será deletério.
Qual o ponto de corte do D-dímero para TEP?
Quando indicada a dosagem, a diretriz usa como ponto de corte para nível "positivo" o valor igual ou superior a 500 ng/mL (µg/L). Os escores de Wells e de Genebra são citados para estratificar o risco antes disso.
Fontes
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