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HIV na gestação: TARV, via de parto pela carga viral e profilaxia do recém-nascido

Equipe Médicos do Futuro Redação clínica Publicado em · 3 min de leitura

Resposta rápida

No HIV na gestação, o Guia de Pré-Natal inicia TARV imediatamente após o diagnóstico; sem uso prévio, com tenofovir 300 mg + lamivudina 300 mg e dolutegravir 50 mg, 1 vez ao dia. Após 34 semanas, a carga viral define AZT intraparto e via de parto. A amamentação é contraindicada, e o RN recebe profilaxia por 4 semanas, de preferência nas primeiras 4 horas.

O HIV na gestação é uma das intercorrências em que a conduta muda de acordo com cada resultado: do teste rápido, da confirmação diagnóstica e, perto do parto, da carga viral. O Guia de Pré-Natal organiza essas decisões em tabela, do primeiro teste à profilaxia do recém-nascido exposto, e traz a prescrição da TARV para a gestante sem tratamento prévio.

A seguir, cada etapa como está no guia.

HIV na gestação: conduta conforme o teste

  • Teste para HIV não reagente: manter o pré-natal habitual. Repetir no 3º trimestre e no parto se não houver resultado recente ou se houver nova exposição de risco.
  • Primeiro teste rápido reagente: realizar o segundo teste conforme o fluxograma diagnóstico, coletar carga viral imediatamente e encaminhar ao serviço de referência.
  • Diagnóstico de HIV confirmado: iniciar TARV imediatamente, independentemente da idade gestacional ou da contagem de CD4. Solicitar carga viral, CD4 e exames iniciais, encaminhar ao pré-natal de alto risco ou serviço especializado e notificar.

TARV na gestante sem uso prévio

O esquema do guia é tenofovir (TDF) + lamivudina (3TC) + dolutegravir (DTG), com categoria de segurança na gestação B:

  • Tenofovir 300 mg + Lamivudina 300 mg, comprimido.
  • Dolutegravir 50 mg, comprimido.
  • Tomar 01 comprimido de TDF + 3TC e 01 comprimido de DTG, via oral, em dose única diária.

O guia descreve esse esquema como de primeira linha na gestação, com alta eficácia na redução da carga viral e na prevenção da transmissão vertical. Orienta monitorar carga viral e adesão, e lembra que ajustes podem ser necessários em situações clínicas específicas. Diante de contraindicação ou falha terapêutica, outros esquemas conforme protocolos oficiais podem ser consultados.

Via de parto e AZT intraparto pela carga viral

A decisão usa a carga viral após 34 semanas:

Carga viral após 34 semanasAZT intravenoso no partoVia de parto
Indetectável, inferior a 50 cópias/mL, com boa adesãoNão é necessário rotineiramenteConforme indicação obstétrica, preferencialmente vaginal; manter TARV habitual
Detectável, mas inferior a 1.000 cópias/mLSimVaginal, se não houver contraindicação obstétrica
≥ 1.000 cópias/mL ou desconhecidaSimCesariana eletiva a partir de 38 semanas, salvo indicação de interrupção anterior

Sem carga viral após 34 semanas, a gestante fica na linha de carga viral desconhecida.

Amamentação

Contraindicada. O guia orienta fórmula infantil e evitar aleitamento materno, misto ou cruzado.

Profilaxia do recém-nascido exposto

O esquema depende do risco de transmissão vertical, da idade gestacional e do peso. Todos duram 4 semanas:

Situação do RNProfilaxia
Baixo riscoZidovudina (AZT) por 4 semanas
Alto risco, IG ≥ 37 semanas e peso ≥ 2 kgAZT + lamivudina (3TC) + raltegravir (RAL) por 4 semanas; nevirapina pode substituir o raltegravir quando necessário
Alto risco, IG entre 34 e menos de 37 semanas ou peso < 2 kgAZT + 3TC + nevirapina (NVP) por 4 semanas
IG < 34 semanasAZT isoladamente por 4 semanas, independentemente do risco

O guia define baixo risco como mãe em TARV, com carga viral inferior a 50 cópias/mL a partir da 28ª semana e boa adesão. A profilaxia deve começar preferencialmente nas primeiras 4 horas de vida; após 48 horas, a indicação é individualizada.

TARV imediata no diagnóstico, carga viral após 34 semanas para decidir parto e AZT, sem amamentação e profilaxia do RN nas primeiras 4 horas.

Erros comuns no pré-natal

  • Não repetir o teste no 3º trimestre quando não há resultado recente ou houve nova exposição de risco.
  • Adiar a TARV à espera de CD4 ou da idade gestacional, quando o guia orienta início imediato.
  • Chegar ao parto sem carga viral após 34 semanas.
  • Esquecer de notificar o caso confirmado.

Na consulta de pré-natal

O Guia de Pré-Natal 2026 traz o HIV entre as intercorrências da gestação, com a conduta para cada resultado, a prescrição da TARV, a decisão sobre via de parto e a profilaxia do recém-nascido exposto, em tabelas para consultar na hora.

Perguntas frequentes

Qual TARV iniciar na gestante sem tratamento prévio?

O guia prescreve tenofovir 300 mg + lamivudina 300 mg em um comprimido e dolutegravir 50 mg em outro, ambos via oral em dose única diária. É descrito como esquema de primeira linha na gestação, com monitorização de carga viral e adesão.

Quando fazer AZT intravenoso no parto?

Quando a carga viral após 34 semanas é detectável, inclusive se inferior a 1.000 cópias/mL, ou quando é ≥ 1.000 cópias/mL ou desconhecida. Com carga viral inferior a 50 cópias/mL e boa adesão, o AZT intraparto não é necessário rotineiramente.

Gestante com HIV pode ter parto vaginal?

Sim, se a carga viral após 34 semanas for inferior a 1.000 cópias/mL e não houver contraindicação obstétrica. Com carga viral ≥ 1.000 cópias/mL ou desconhecida, o guia programa cesariana eletiva a partir de 38 semanas.

Qual a profilaxia do recém-nascido exposto de baixo risco?

Zidovudina (AZT) por 4 semanas. O guia considera baixo risco a mãe em TARV, com carga viral inferior a 50 cópias/mL a partir da 28ª semana e boa adesão. A profilaxia começa de preferência nas primeiras 4 horas de vida.

Fontes

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