HIV na gestação: TARV, via de parto pela carga viral e profilaxia do recém-nascido
Resposta rápida
No HIV na gestação, o Guia de Pré-Natal inicia TARV imediatamente após o diagnóstico; sem uso prévio, com tenofovir 300 mg + lamivudina 300 mg e dolutegravir 50 mg, 1 vez ao dia. Após 34 semanas, a carga viral define AZT intraparto e via de parto. A amamentação é contraindicada, e o RN recebe profilaxia por 4 semanas, de preferência nas primeiras 4 horas.
O HIV na gestação é uma das intercorrências em que a conduta muda de acordo com cada resultado: do teste rápido, da confirmação diagnóstica e, perto do parto, da carga viral. O Guia de Pré-Natal organiza essas decisões em tabela, do primeiro teste à profilaxia do recém-nascido exposto, e traz a prescrição da TARV para a gestante sem tratamento prévio.
A seguir, cada etapa como está no guia.
HIV na gestação: conduta conforme o teste
- Teste para HIV não reagente: manter o pré-natal habitual. Repetir no 3º trimestre e no parto se não houver resultado recente ou se houver nova exposição de risco.
- Primeiro teste rápido reagente: realizar o segundo teste conforme o fluxograma diagnóstico, coletar carga viral imediatamente e encaminhar ao serviço de referência.
- Diagnóstico de HIV confirmado: iniciar TARV imediatamente, independentemente da idade gestacional ou da contagem de CD4. Solicitar carga viral, CD4 e exames iniciais, encaminhar ao pré-natal de alto risco ou serviço especializado e notificar.
TARV na gestante sem uso prévio
O esquema do guia é tenofovir (TDF) + lamivudina (3TC) + dolutegravir (DTG), com categoria de segurança na gestação B:
- Tenofovir 300 mg + Lamivudina 300 mg, comprimido.
- Dolutegravir 50 mg, comprimido.
- Tomar 01 comprimido de TDF + 3TC e 01 comprimido de DTG, via oral, em dose única diária.
O guia descreve esse esquema como de primeira linha na gestação, com alta eficácia na redução da carga viral e na prevenção da transmissão vertical. Orienta monitorar carga viral e adesão, e lembra que ajustes podem ser necessários em situações clínicas específicas. Diante de contraindicação ou falha terapêutica, outros esquemas conforme protocolos oficiais podem ser consultados.
Via de parto e AZT intraparto pela carga viral
A decisão usa a carga viral após 34 semanas:
| Carga viral após 34 semanas | AZT intravenoso no parto | Via de parto |
|---|---|---|
| Indetectável, inferior a 50 cópias/mL, com boa adesão | Não é necessário rotineiramente | Conforme indicação obstétrica, preferencialmente vaginal; manter TARV habitual |
| Detectável, mas inferior a 1.000 cópias/mL | Sim | Vaginal, se não houver contraindicação obstétrica |
| ≥ 1.000 cópias/mL ou desconhecida | Sim | Cesariana eletiva a partir de 38 semanas, salvo indicação de interrupção anterior |
Sem carga viral após 34 semanas, a gestante fica na linha de carga viral desconhecida.
Amamentação
Contraindicada. O guia orienta fórmula infantil e evitar aleitamento materno, misto ou cruzado.
Profilaxia do recém-nascido exposto
O esquema depende do risco de transmissão vertical, da idade gestacional e do peso. Todos duram 4 semanas:
| Situação do RN | Profilaxia |
|---|---|
| Baixo risco | Zidovudina (AZT) por 4 semanas |
| Alto risco, IG ≥ 37 semanas e peso ≥ 2 kg | AZT + lamivudina (3TC) + raltegravir (RAL) por 4 semanas; nevirapina pode substituir o raltegravir quando necessário |
| Alto risco, IG entre 34 e menos de 37 semanas ou peso < 2 kg | AZT + 3TC + nevirapina (NVP) por 4 semanas |
| IG < 34 semanas | AZT isoladamente por 4 semanas, independentemente do risco |
O guia define baixo risco como mãe em TARV, com carga viral inferior a 50 cópias/mL a partir da 28ª semana e boa adesão. A profilaxia deve começar preferencialmente nas primeiras 4 horas de vida; após 48 horas, a indicação é individualizada.
TARV imediata no diagnóstico, carga viral após 34 semanas para decidir parto e AZT, sem amamentação e profilaxia do RN nas primeiras 4 horas.
Erros comuns no pré-natal
- Não repetir o teste no 3º trimestre quando não há resultado recente ou houve nova exposição de risco.
- Adiar a TARV à espera de CD4 ou da idade gestacional, quando o guia orienta início imediato.
- Chegar ao parto sem carga viral após 34 semanas.
- Esquecer de notificar o caso confirmado.
Na consulta de pré-natal
O Guia de Pré-Natal 2026 traz o HIV entre as intercorrências da gestação, com a conduta para cada resultado, a prescrição da TARV, a decisão sobre via de parto e a profilaxia do recém-nascido exposto, em tabelas para consultar na hora.
Perguntas frequentes
Qual TARV iniciar na gestante sem tratamento prévio?
O guia prescreve tenofovir 300 mg + lamivudina 300 mg em um comprimido e dolutegravir 50 mg em outro, ambos via oral em dose única diária. É descrito como esquema de primeira linha na gestação, com monitorização de carga viral e adesão.
Quando fazer AZT intravenoso no parto?
Quando a carga viral após 34 semanas é detectável, inclusive se inferior a 1.000 cópias/mL, ou quando é ≥ 1.000 cópias/mL ou desconhecida. Com carga viral inferior a 50 cópias/mL e boa adesão, o AZT intraparto não é necessário rotineiramente.
Gestante com HIV pode ter parto vaginal?
Sim, se a carga viral após 34 semanas for inferior a 1.000 cópias/mL e não houver contraindicação obstétrica. Com carga viral ≥ 1.000 cópias/mL ou desconhecida, o guia programa cesariana eletiva a partir de 38 semanas.
Qual a profilaxia do recém-nascido exposto de baixo risco?
Zidovudina (AZT) por 4 semanas. O guia considera baixo risco a mãe em TARV, com carga viral inferior a 50 cópias/mL a partir da 28ª semana e boa adesão. A profilaxia começa de preferência nas primeiras 4 horas de vida.
Fontes
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