Facebook PixelFacebook Pixel
Compartilhar
Aferição da pressão arterial com aparelho digital sobre a mesa

Hipertensão gestacional: tratamento com metildopa, dose e quando encaminhar

Equipe Médicos do Futuro Redação clínica Publicado em · 4 min de leitura

Resposta rápida

No tratamento da hipertensão gestacional, a primeira escolha é a metildopa: iniciar com 250 mg, via oral, 2 a 3 vezes ao dia nas primeiras 48 horas e aumentar gradualmente até 750 mg a 2 g/dia, de 6/6 horas. IECA e BRA são contraindicados. PA ≥ 160/110 mmHg ou sinais de gravidade pedem encaminhamento imediato à maternidade.

PA elevada numa consulta de pré-natal abre duas perguntas ao mesmo tempo: que tipo de hipertensão é essa e quanto tempo a gestante pode esperar. O Guia de Pré-Natal responde às duas com uma classificação pela idade gestacional, uma tabela de conduta pela pressão arterial e a lista do que pode e do que não pode ser prescrito. O UBS de Bolso traz a receita de controle pressórico da hipertensão gestacional, com metildopa no primeiro item.

Como o guia classifica a hipertensão na gestação

  • Hipertensão arterial crônica (HAC): presente antes da gestação ou diagnosticada antes de 20 semanas. Pode ser primária (essencial) ou secundária.
  • Hipertensão gestacional: diagnosticada após 20 semanas, sem proteinúria ou outros critérios de pré-eclâmpsia. Geralmente regride até 12 semanas após o parto.
  • Pré-eclâmpsia: hipertensão após 20 semanas associada a proteinúria e/ou sinais de comprometimento materno, com ou sem sinais de gravidade.
  • Pré-eclâmpsia sobreposta: gestante com HAC que apresenta proteinúria nova, piora significativa da proteinúria preexistente e/ou sinais de gravidade.
  • Eclâmpsia: convulsões tônico-clônicas generalizadas em gestante com pré-eclâmpsia, sem outra causa neurológica.

Para proteinúria, o guia aceita 300 mg/24 h ou mais, relação proteína/creatinina de 0,3 ou mais, ou fita urinária positiva, conforme disponibilidade. A receita do UBS de Bolso começa com o mesmo lembrete: investigar pré-eclâmpsia após a 20ª semana.

O que avaliar e pedir na UBS

Diante de PA elevada, o guia orienta confirmar a pressão, checar a idade gestacional, avaliar sintomas, procurar sinais de gravidade, avaliar ganho ponderal e edema e verificar antecedentes de hipertensão e pré-eclâmpsia. Os exames iniciais, conforme disponibilidade e contexto clínico, são hemograma com plaquetas, creatinina, TGO, TGP, DHL, bilirrubina total e frações e avaliação de proteinúria (relação proteína/creatinina, proteinúria de 24 horas ou fita urinária).

Conduta pela pressão arterial

SituaçãoConduta na APS
PA < 140/90 mmHgManter acompanhamento habitual do pré-natal
PA 140/90 a < 160/110 mmHg, assintomáticaConfirmar PA, investigar proteinúria, avaliação médica, avaliação fetal e encaminhamento ao alto risco
PA ≥ 140/90 mmHg + proteinúriaReferenciar para avaliação obstétrica e pré-natal de alto risco
PA ≥ 140/90 mmHg + sinais de alarmeEncaminhamento imediato à maternidade ou urgência obstétrica
PA ≥ 160/110 mmHgEncaminhamento imediato à maternidade ou urgência obstétrica

Os sinais de alarme listados são PA ≥ 160/110 mmHg, cefaleia importante ou persistente, alterações visuais ou escotomas, epigastralgia, sangramentos anormais, hiperreflexia e outros sinais de comprometimento materno. Suspeita de eclâmpsia e piora clínica materna também pedem encaminhamento imediato.

Regra prática do guia: PA ≥ 160/110 mmHg ou sinais de gravidade, encaminhamento imediato para urgência ou maternidade.

Tratamento da hipertensão gestacional: metildopa primeiro

O Guia de Pré-Natal coloca a metildopa como primeira escolha (categoria de segurança na gestação: B). O esquema é:

  • Metildopa 250 mg ou 500 mg, comprimido — iniciar com 250 mg, via oral, 2 a 3 vezes ao dia, nas primeiras 48 horas. Aumentar gradualmente até 750 mg a 2 g/dia, via oral, de 6/6 horas.

A receita do UBS de Bolso vai na mesma linha: metildopa 250-500 mg/comprimido, uso contínuo, dose de 750-2000 mg/dia, via oral, de 6 em 6 horas. O Guia de Pré-Natal observa que a metildopa tem início de ação mais lento.

Outras opções orais que aparecem no Guia de Pré-Natal:

  • Nifedipino retard (categoria C) — 20 mg, via oral, a cada 12 horas.
  • Anlodipino (categoria C) e clonidina (categoria C), também listados entre os anti-hipertensivos da gestante.

Quando há necessidade de terceira droga, o UBS de Bolso lista carvedilol (12,5-50 mg/dia, via oral, de 12 em 12 horas), hidralazina (50-150 mg/dia, via oral, de 8 em 8 horas) e clonidina. O Guia de Pré-Natal acrescenta que a hidralazina é mais utilizada em situações de hipertensão grave ou aguda.

O que não prescrever: IECA e BRA

IECA (como captopril e enalapril) e BRA (como losartana e valsartana) são contraindicados durante a gestação, devido ao risco fetal.

Profilaxia da pré-eclâmpsia: AAS e cálcio

Gestantes com maior risco para pré-eclâmpsia podem ter indicação de AAS em baixa dose. Os fatores descritos no guia são pré-eclâmpsia prévia, hipertensão arterial crônica, diabetes pré-gestacional, doença renal, doença autoimune, gestação múltipla e obesidade.

  • Ácido acetilsalicílico 100 mg — 01 caixa. Tomar 01 comprimido, via oral, à noite. Iniciar a partir da 12ª semana conforme indicação e manter conforme protocolo obstétrico.
  • Carbonato de cálcio 500 mg — 01 caixa. Tomar 01 comprimido, via oral, antes do almoço e 01 comprimido antes do jantar.

A suplementação de cálcio é recomendada especialmente em gestantes com maior risco para pré-eclâmpsia e/ou baixa ingestão de cálcio, junto com orientação de dieta adequada em cálcio.

Quando dividir o acompanhamento com o alto risco

O guia orienta considerar acompanhamento conjunto com o pré-natal de alto risco na hipertensão crônica, na hipertensão gestacional, na pré-eclâmpsia, diante de alterações laboratoriais ou proteinúria e quando há fatores importantes de risco para pré-eclâmpsia. Na HAC, o acompanhamento é mais rigoroso, com atenção ao desenvolvimento de pré-eclâmpsia sobreposta.

Na consulta

A classificação, a tabela de conduta pela PA, os anti-hipertensivos com categoria de segurança e a profilaxia com AAS e cálcio estão no Guia de Pré-Natal 2026, no módulo de patologias comuns na gestação.

A receita de controle pressórico da hipertensão gestacional, com a sequência até a terceira droga, está no UBS de Bolso 2026, no módulo de pré-natal e saúde da mulher.

Perguntas frequentes

Qual a dose de metildopa na gestante?

No Guia de Pré-Natal, a metildopa começa com 250 mg, via oral, 2 a 3 vezes ao dia, nas primeiras 48 horas. Depois, aumenta-se gradualmente até 750 mg a 2 g/dia, de 6/6 horas.

Qual a diferença entre hipertensão crônica e hipertensão gestacional?

A hipertensão crônica está presente antes da gestação ou é diagnosticada antes de 20 semanas. A gestacional é diagnosticada após 20 semanas, sem proteinúria ou outros critérios de pré-eclâmpsia, e geralmente regride até 12 semanas após o parto.

Quando encaminhar a gestante hipertensa para a maternidade?

O guia orienta encaminhamento imediato se a PA estiver ≥ 160/110 mmHg, se houver PA elevada com sinais de gravidade, suspeita de eclâmpsia ou piora clínica materna. PA ≥ 140/90 mmHg com sinais de alarme também vai direto para a urgência obstétrica.

Posso manter losartana ou enalapril na gestação?

Não. O guia lista IECA (captopril, enalapril) e BRA (losartana, valsartana) como contraindicados durante a gestação, devido ao risco fetal. A primeira escolha é a metildopa.

Fontes

Compartilhar

Leia também