Hipertensão na APS: meta de 130/80 e as três classes de primeira linha
Resposta rápida
O PCDT da Hipertensão de 2025 fixa a meta terapêutica em pressão arterial inferior a 130/80 mmHg, com meta flexível de 140-149/70-79 mmHg no idoso frágil. As classes de primeira linha são IECA ou BRA, bloqueador dos canais de cálcio de ação prolongada e diurético tiazídico de longa duração.
O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Hipertensão Arterial Sistêmica foi atualizado pela Portaria SECTICS/MS nº 49, de 23 de julho de 2025. Duas coisas dele mudam a consulta de rotina na UBS: o número que define sucesso e o caminho para começar o medicamento.
A meta é 130/80 — com a exceção escrita ao lado
O protocolo é direto: a meta terapêutica é atingir pressão arterial inferior a 130 mmHg/80 mmHg. E abre a exceção no mesmo ponto: no idoso frágil, a meta deve ser flexível, idealmente 140-149 mmHg/70-79 mmHg.
Na prática isso quer dizer que 138/86 é resultado insuficiente num adulto de 50 anos e resultado adequado num idoso frágil de 84. A fragilidade entra como critério clínico declarado, não como concessão informal.
Antes de diagnosticar, três faixas
- Resultado abaixo de 130/85 mmHg: orientar prevenção primária e repetir o rastreamento em um ano.
- PA ≥ 130/85 e < 139/89 mmHg: é pressão normal alta. O paciente precisa de seguimento, não de receita imediata.
- PA ≥ 140/90 mmHg: seguir os critérios de confirmação diagnóstica antes de rotular alguém como hipertenso.
Uma medida alta é um achado. Hipertensão é um diagnóstico — e o protocolo separa as duas coisas.
Três classes de primeira linha
O protocolo nomeia as opções de início: um bloqueador do sistema renina-angiotensina — inibidor da enzima conversora da angiotensina (IECA) ou bloqueador do receptor de angiotensina (BRA) —, um bloqueador dos canais de cálcio de ação prolongada e um diurético tiazídico de longa duração.
Dois detalhes que aparecem no texto e resolvem dúvida de consultório:
- Até 10% dos pacientes em uso de IECA apresentam tosse persistente — é causa comum de abandono, e tem saída dentro da mesma lógica de tratamento.
- IECA e BRA são mais indicados em pacientes com proteinúria e diabete melito, o que muda a escolha inicial nesses perfis.
Onde isso trava na consulta
O problema raramente é saber a meta. É ter, na hora, a dose de início, a titulação e a associação escrita — com o paciente sentado à sua frente e dez minutos de consulta.
O Guia da UBS e o Guia de Condutas UBS trazem essas condutas prontas para consultar e copiar, na ordem em que a consulta acontece.
Perguntas frequentes
A meta de 130/80 vale também para o idoso?
Não para o idoso frágil. O PCDT de 2025 abre exceção explícita: nesse grupo a meta deve ser flexível, idealmente 140-149/70-79 mmHg. Para o idoso sem fragilidade, vale a meta geral.
Paciente chegou com 150/95 na primeira medida. Já começo o anti-hipertensivo?
O protocolo orienta que PA ≥ 140/90 mmHg siga os critérios de confirmação diagnóstica antes do diagnóstico ser firmado. Uma medida isolada não fecha hipertensão.
Fontes
Leia também
ITU de repetição: a definição, a profilaxia e o que não funciona
ITU de repetição é definida como dois ou mais episódios em 6 meses, ou três ou mais em 12 meses. Urina I e urocultura devem ser solicitadas em todos os casos. O guia da Anvisa registra que não há emb…
· 4 min de leitura
Ler agoraDoença inflamatória pélvica: os critérios e o esquema de 14 dias
O diagnóstico exige mulher sexualmente ativa com dor pélvica e, ao exame ginecológico, dor à palpação de anexos somada a dor à mobilização do colo uterino — mais pelo menos um achado adicional, como…
· 4 min de leitura
Ler agoraPneumonia na comunidade: os fatores de risco mudam o antibiótico
No guia da Anvisa para a APS, sem fatores de risco a primeira opção é amoxicilina 500 mg VO 8/8h por 5 a 7 dias. Com fatores de risco — idade igual ou acima de 65 anos, hospitalização no último ano,…
· 4 min de leitura
Ler agora