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Médica palpa o pescoço de uma menina durante o exame clínico

Faringoamigdalite aguda: o escore de Centor e quando dar antibiótico

Equipe Médicos do Futuro Redação clínica Publicado em · 3 min de leitura

Resposta rápida

No guia da Anvisa para a APS, o escore de Centor modificado define a conduta na faringoamigdalite: 0, 1 ou 2 pontos, não prescrever antimicrobiano e tratar sintomático; 3 pontos, considerar antimicrobiano se houver outros sinais sugestivos de infecção bacteriana; 4 pontos ou mais, tratar com antimicrobiano e sintomáticos. A penicilina é o único antimicrobiano com eficácia comprovada em reduzir taxas de febre reumática.

A maior parte das faringoamigdalites é viral. Coriza, conjuntivite e tosse concomitantes sugerem justamente isso. E secreção purulenta nas tonsilas palatinas, ao contrário do que a intuição diz, não indica necessariamente infecção bacteriana. De 20 a 40% dos casos são bacterianos, e o agente mais comum é o Streptococcus pyogenes.

Os cinco itens do escore

  • Febre > 38 °C (+1)
  • Ausência de tosse (+1)
  • Adenopatia cervical anterior (+1)
  • Exsudato ou edema amigdaliano (+1)
  • Idade 3-14 anos (+1) · 15-44 anos (0) · ≥ 45 anos (−1)

Duas escalas que não são a mesma coisa

O guia traz o escore em duas leituras, e confundi-las muda a conduta.

Conduta:

  • 0, 1 ou 2 pontos: não prescrever antimicrobiano. Tratamento com sintomático.
  • 3 pontos: considerar tratamento com antimicrobiano, caso o paciente apresente outros sinais e sintomas sugestivos de infecção bacteriana.
  • 4 pontos ou mais: tratamento com antimicrobiano e sintomáticos.

Probabilidade de infecção estreptocócica: ≤ 1 ponto, baixa; 2 a 3 pontos, moderada; ≥ 4 pontos, alta.

O antimicrobiano, quando indicado

Penicilina é o único antimicrobiano com eficácia comprovada em reduzir taxas de febre reumática — é o motivo de ela liderar a lista.

  • Penicilina benzatina: adulto 1,2 milhão UI IM dose única; criança ≤ 30 kg, 600 mil UI IM; ≥ 30 kg, 1,2 milhão UI IM, dose única.
  • Amoxicilina: adulto 500 mg VO 8/8h por 10 dias; criança 50 mg/kg/dia (máximo 500 mg/dose) dividido 8/8h por 10 dias.
  • Penicilina V: adulto 500 mg VO 8/8h por 10 dias; criança 25-75 mg/kg/dia dividido 6/6h ou 8/8h por 10 dias.
  • Em caso de alergia: azitromicina, cefalexina ou cefuroxima, nas doses do guia.

Diagnóstico e seguimento

O diagnóstico é clínico. A cultura de orofaringe é o padrão ouro, mas de pouca aplicabilidade clínica. O teste rápido tem a limitação que importa: o positivo confirma, o negativo não exclui, por baixa sensibilidade.

A febre e os sintomas constitucionais costumam desaparecer em um a três dias, mas o tempo de tratamento precisa ser concluído para erradicar o estreptococo. Consultas de seguimento não são necessárias na maioria dos casos.

Na hora da consulta

O Guia da UBS e o Guia de Condutas UBS trazem o escore e as doses na mesma página, para decidir e prescrever sem sair do atendimento.

Perguntas frequentes

Teste rápido para estreptococo negativo exclui o diagnóstico?

Não. O guia registra que o teste positivo confirma o diagnóstico, mas o negativo não o exclui, por causa da baixa sensibilidade. O diagnóstico permanece clínico.

Preciso marcar retorno depois do tratamento?

Na maioria dos casos, não — o guia diz que consultas de seguimento não são necessárias. O que importa é concluir o tempo de tratamento, mesmo com o paciente já sem febre em um a três dias.

Fontes

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