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Gestante em pé ao lado de um berço de madeira em um quarto iluminado

Exames de pré-natal por trimestre: o que pedir, quando repetir e o que fazer se alterar

Equipe Médicos do Futuro Redação clínica Publicado em · 4 min de leitura

Resposta rápida

Nos exames de pré-natal por trimestre, a primeira consulta inclui hemograma, glicemia de jejum, HIV, sífilis, HBsAg, anti-HCV e urina tipo I com urocultura. No 2º trimestre, TOTG 75 g entre 24–28 semanas e repetição de hemograma e urocultura entre 20–28 semanas. No 3º, HIV e sífilis entre 28–32 semanas e swab para EGB entre 35–37 semanas.

A lista de exames do pré-natal é longa, e boa parte deles precisa ser repetida em janelas definidas da gestação. O Guia de Pré-Natal organiza a rotina laboratorial numa tabela por trimestre, com o objetivo de cada exame e a conduta diante do resultado alterado.

O guia usa estas faixas: 1º trimestre até 13s6d, 2º trimestre de 14s a 27s6d e 3º trimestre a partir de 28 semanas. A seguir, a tabela e as condutas, organizadas para consulta rápida.

Exames de pré-natal por trimestre: a tabela do guia

Exame1º trimestre2º trimestre3º trimestre
Hemograma completoPrimeira consultaRepetir entre 20–28 semanasRepetir entre 30–34 semanas
Glicemia de jejumPrimeira consultaRastreamento entre 24–28 semanas nas gestantes sem diagnóstico prévioNão é exame de rastreamento rotineiro isolado
TOTG 75 gNão realizar rotineiramenteEntre 24–28 semanas, em todas sem diagnóstico prévio de diabetes ou DMGNão realizar rotineiramente
HIVPrimeira consultaConforme risco ou protocolo localPreferencialmente entre 28–32 semanas
Sífilis (treponêmico e/ou VDRL)Primeira consultaConforme risco ou protocolo localEntre 28–32 semanas e na admissão para o parto
HBsAgPrimeira consultaSe exposição ou fator de riscoConforme protocolo e risco
Anti-HCVPrimeira consultaSe nova exposição ou risco persistenteNão repetir rotineiramente
Toxoplasmose IgG e IgMConforme protocolo localRepetir nas suscetíveisRepetir nas suscetíveis
Rubéola IgG e IgM, quando indicadoAvaliar imunidadeNão repetir rotineiramenteNão repetir rotineiramente
Urina tipo I e uroculturaPrimeira consultaEntre 20–28 semanas ou conforme riscoEntre 30–34 semanas ou conforme protocolo
Swab vaginal e retal para EGBNão realizarNão realizarEntre 35–37 semanas, conforme protocolo

Hemograma: anemia e plaquetas

O objetivo é rastrear e acompanhar anemia, especialmente por deficiência de ferro, folato ou vitamina B12, e avaliar as plaquetas. Os cortes do guia:

  • Anemia: Hb < 11 g/dL no 1º ou 3º trimestre, ou Hb < 10,5 g/dL no 2º trimestre. Investigar a causa, orientar alimentação adequada e iniciar ou ajustar a reposição de ferro.
  • Trombocitopenia: plaquetas < 150.000/mm³. Investigar, avaliando gravidade, tendência de queda e presença de hipertensão, sangramentos ou sinais de doença sistêmica. Encaminhar ao alto risco se houver redução importante, progressiva ou associada a manifestações clínicas.

Rastreamento do diabetes na gestação

Na primeira consulta, a glicemia de jejum define o caminho:

  • < 92 mg/dL: normal. Programar TOTG 75 g entre 24–28 semanas.
  • 92–125 mg/dL: diagnóstico de diabetes mellitus gestacional.
  • ≥ 126 mg/dL: provável diabetes diagnosticado na gestação (overt diabetes), a confirmar conforme protocolo.
  • Glicemia ao acaso ≥ 200 mg/dL com sintomas clássicos também sugere overt diabetes.

Entre 24 e 28 semanas, o TOTG 75 g inclui glicemia em jejum, após 1 hora e após 2 horas. O diagnóstico de DMG vem com pelo menos um valor alterado:

ColetaValor diagnóstico de DMG
Jejum≥ 92 e < 126 mg/dL
Após 1 hora≥ 180 mg/dL
Após 2 horas≥ 153 e < 200 mg/dL

Se a glicemia de 2 horas for ≥ 200 mg/dL, a gestante é classificada como diabetes diagnosticado na gestação, e não apenas DMG.

Sorologias: o que fazer com o resultado positivo

  • HIV: confirmar conforme o algoritmo vigente, iniciar terapia antirretroviral o mais precocemente possível, notificar e encaminhar ao alto risco ou serviço especializado.
  • Sífilis: tratar imediatamente com penicilina benzatina conforme o estágio clínico, notificar, avaliar e tratar as parcerias sexuais e acompanhar com VDRL quantitativo.
  • HBsAg positivo: encaminhar para avaliação especializada e organizar imunoglobulina contra hepatite B e vacinação do recém-nascido nas primeiras horas de vida.
  • Anti-HCV positivo: solicitar confirmação da infecção ativa e encaminhar para acompanhamento especializado.
  • Toxoplasmose: IgM positivo ou soroconversão, investigar infecção recente e encaminhar ao alto risco. IgG e IgM negativos, gestante suscetível: orientar prevenção alimentar e ambiental e repetir a sorologia conforme protocolo.
  • Rubéola: IgM positivo, investigar e encaminhar. IgG negativo, orientar vacinação no puerpério. A tríplice viral é contraindicada durante a gestação.

Urina tipo I e urocultura

  • Bacteriúria assintomática: tratar com antibiótico seguro na gestação, conforme cultura e antibiograma, e fazer urocultura de controle.
  • Cistite: tratar e fazer controle de cura.
  • Pielonefrite: encaminhar para avaliação hospitalar, internação e antibioticoterapia intravenosa.

Coombs indireto na gestante Rh negativo

Na gestante Rh negativo, o Coombs indireto é solicitado e repetido entre 20–28 semanas, conforme protocolo. Coombs positivo: identificar o anticorpo, avaliar a titulação e encaminhar ao alto risco. Coombs negativo: administrar imunoglobulina anti-D por volta da 28ª semana, repetir até 72 horas após o parto se o recém-nascido for Rh positivo e administrar após situações potencialmente sensibilizantes.

Estreptococo do grupo B: swab entre 35–37 semanas

Resultado positivo indica profilaxia antibiótica durante o trabalho de parto. O guia deixa claro que não há indicação de tratar durante o pré-natal só para erradicar a colonização.

  • Esquema preferencial: penicilina G cristalina 5 milhões UI IV como dose inicial, seguida de 2,5–3 milhões UI IV a cada 4 horas até o parto.
  • Alternativa: ampicilina 2 g IV inicialmente, seguida de 1 g IV a cada 4 horas até o parto.

A primeira consulta pede quase tudo; o 2º e o 3º trimestre pedem repetições em janelas definidas.

Na consulta

A tabela de exames por trimestre, com objetivos e condutas diante de cada alteração, está no Guia de Pré-Natal 2026, no módulo de consultas de seguimento, que também traz os ultrassons por trimestre.

Perguntas frequentes

Quais exames pedir na primeira consulta de pré-natal?

Pela tabela do Guia de Pré-Natal: hemograma, glicemia de jejum, HIV, sífilis, HBsAg, anti-HCV e urina tipo I com urocultura, além de Coombs indireto nas gestantes Rh negativo. Toxoplasmose e rubéola seguem o protocolo local.

Quando repetir hemograma e urocultura?

O guia repete os dois entre 20–28 semanas e entre 30–34 semanas. A urocultura pode ser repetida também conforme risco ou protocolo.

Quais os valores do TOTG 75 g para diabetes gestacional?

Basta um valor alterado: jejum ≥ 92 e < 126 mg/dL, 1 hora ≥ 180 mg/dL ou 2 horas ≥ 153 e < 200 mg/dL. Se a glicemia de 2 horas for ≥ 200 mg/dL, classifica-se como diabetes diagnosticado na gestação.

Quando colher o swab para estreptococo do grupo B?

Entre 35–37 semanas, conforme o protocolo adotado. Se positivo, faz-se profilaxia intraparto, e não tratamento durante o pré-natal.

Fontes

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