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Médico ausculta paciente em leito de UTI ao lado de uma enfermeira e de bombas de infusão

Delirium na UTI: CAM-ICU passo a passo, prevenção e tratamento da agitação

Equipe Médicos do Futuro Redação clínica Publicado em · 3 min de leitura

Resposta rápida

No delirium na UTI, o diagnóstico se faz com a CAM-ICU e o primeiro passo é a prevenção não farmacológica: estímulo cognitivo, evitar imobilidade e despertar diário da sedação. A medicação serve para controlar a agitação, não para encurtar o delirium: haloperidol 5mg EV em bólus, repetido a cada 30 minutos até sedação leve (1mg em idosos pode bastar).

Nem todo delirium na UTI é o paciente agitado. O guia de terapia intensiva da plataforma lembra que o subtipo hipoativo, com redução da atividade psicomotora, é o mais comum no CTI, e trata o delirium como marcador de gravidade e maior fator de risco para prejuízo cognitivo no longo prazo.

O capítulo cobre três coisas: como reconhecer (com a CAM-ICU), como prevenir e como controlar a agitação com medicação. A seguir, cada parte organizada para uso à beira do leito.

O que é delirium e quais os subtipos

O guia define delirium como uma alteração aguda da função cerebral, com alterações de cognição, percepção, consciência e atenção, que tende a flutuar ao longo do dia. São três subtipos:

  • Hiperativo: aumento da atividade psicomotora, delírios e alucinações.
  • Hipoativo: redução da atividade psicomotora. É o mais comum no CTI.
  • Misto: flutuação entre as duas formas, com sintomas positivos e negativos.

Como aplicar a CAM-ICU passo a passo

A CAM-ICU (Confusion Assessment Method for ICU) é a ferramenta que o guia usa para o diagnóstico. Antes de começar, confira o RASS: o paciente precisa estar acima de -4 para seguir. Se estiver abaixo, reavalie depois.

  1. Início agudo ou curso flutuante. Houve mudança aguda do estado mental em relação ao basal, ou flutuação nas últimas 24 horas? Se não, negativo para delirium. Se sim, siga.
  2. Inatenção. Leia em voz alta as letras "S A V E H A A R T" e peça para o paciente apertar sua mão só quando ouvir a letra "A". Conta como erro não apertar no "A" ou apertar em outra letra. Menos de 3 erros: negativo. Com 3 ou mais, siga.
  3. Nível de consciência alterado. Se o RASS for diferente de 0, positivo para delirium. Se for 0, siga.
  4. Pensamento desorganizado. Pergunte: uma pedra flutua na água? No mar tem peixe? Um quilo pesa mais que dois quilos? Você pode usar um martelo para bater um prego? Depois, mostre dois dedos e peça "mostre-me esta quantidade de dedos"; em seguida, peça a mesma coisa na outra mão, mostrando três dedos. Com 2 erros ou mais, positivo; com menos de 2, negativo.

Prevenção do delirium na UTI

O guia é claro sobre a ordem das coisas: o primeiro passo é a prevenção, com medidas não farmacológicas.

  • Estímulo cognitivo: calendários, relógios, janelas.
  • Evitar imobilidade.
  • Evitar desidratação e distúrbios hidroeletrolíticos.
  • Despertar diário nos casos de sedação contínua.
  • Evitar constipação e retenção urinária.

A contenção mecânica, segundo o guia, deve ser feita somente em último caso.

Tratamento farmacológico: para que servem os remédios

O guia faz uma ressalva importante: no delirium hiperativo, o paciente está sujeito a intercorrências como extubação acidental e retirada de dispositivos que podem pôr a vida em risco. O papel principal dos medicamentos é o controle da agitação, e há pouco ou nenhum efeito na redução do tempo de delirium.

FármacoDoseObservação do guia
Haloperidol5mg EV em bólus, repetir a cada 30 minutos até sedação leveEm idosos, 1mg já pode ser efetivo
Quetiapina12,5 a 100 mg até de 8/8 horasMenos efeitos colaterais que o haloperidol
Risperidona0,5 a 2mg VO de 12/12 horasMenos efeitos colaterais que o haloperidol
Ziprasidona10 a 40mg VO de 12/12 horasMenos efeitos colaterais que o haloperidol

Como alternativas ao haloperidol, o guia lista quetiapina, risperidona e ziprasidona (estas duas por via oral), todas com a observação de menos efeitos colaterais que o haloperidol.

Prevenir primeiro, diagnosticar com a CAM-ICU e usar medicação para controlar a agitação, sabendo que ela não encurta o delirium.

Na UTI e fora dela

O capítulo completo de delirium no CTI, com o fluxograma da CAM-ICU, está no guia de terapia intensiva da Plataforma, junto com prescrições, fluxogramas e calculadoras. Fora da UTI, o Saúde Mental na UBS de Bolso 2026 tem um módulo sobre o idoso que aborda demência, delirium e depressão.

Perguntas frequentes

Como aplicar a CAM-ICU?

Com o paciente em RASS acima de -4, avalie quatro itens em sequência: início agudo ou curso flutuante, inatenção (teste das letras SAVEHAART), nível de consciência alterado e pensamento desorganizado. O fluxograma indica em cada passo se o resultado é positivo, negativo ou se deve seguir.

Qual a dose de haloperidol no delirium da UTI?

5mg EV em bólus, repetidos a cada 30 minutos até sedação leve. Em idosos, o guia observa que 1mg já pode ser efetivo.

Antipsicótico reduz o tempo de delirium?

Segundo o guia, há pouco ou nenhum efeito na redução do tempo de delirium. O papel principal dos medicamentos é controlar a agitação e evitar intercorrências, como extubação acidental e retirada de dispositivos.

Quais medidas previnem delirium no paciente crítico?

Estímulo cognitivo com calendários, relógios e janelas; evitar imobilidade, desidratação e distúrbios hidroeletrolíticos; despertar diário na sedação contínua; e evitar constipação e retenção urinária. A contenção mecânica fica para último caso.

Fontes

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