Delirium na UTI: CAM-ICU passo a passo, prevenção e tratamento da agitação
Resposta rápida
No delirium na UTI, o diagnóstico se faz com a CAM-ICU e o primeiro passo é a prevenção não farmacológica: estímulo cognitivo, evitar imobilidade e despertar diário da sedação. A medicação serve para controlar a agitação, não para encurtar o delirium: haloperidol 5mg EV em bólus, repetido a cada 30 minutos até sedação leve (1mg em idosos pode bastar).
Nem todo delirium na UTI é o paciente agitado. O guia de terapia intensiva da plataforma lembra que o subtipo hipoativo, com redução da atividade psicomotora, é o mais comum no CTI, e trata o delirium como marcador de gravidade e maior fator de risco para prejuízo cognitivo no longo prazo.
O capítulo cobre três coisas: como reconhecer (com a CAM-ICU), como prevenir e como controlar a agitação com medicação. A seguir, cada parte organizada para uso à beira do leito.
O que é delirium e quais os subtipos
O guia define delirium como uma alteração aguda da função cerebral, com alterações de cognição, percepção, consciência e atenção, que tende a flutuar ao longo do dia. São três subtipos:
- Hiperativo: aumento da atividade psicomotora, delírios e alucinações.
- Hipoativo: redução da atividade psicomotora. É o mais comum no CTI.
- Misto: flutuação entre as duas formas, com sintomas positivos e negativos.
Como aplicar a CAM-ICU passo a passo
A CAM-ICU (Confusion Assessment Method for ICU) é a ferramenta que o guia usa para o diagnóstico. Antes de começar, confira o RASS: o paciente precisa estar acima de -4 para seguir. Se estiver abaixo, reavalie depois.
- Início agudo ou curso flutuante. Houve mudança aguda do estado mental em relação ao basal, ou flutuação nas últimas 24 horas? Se não, negativo para delirium. Se sim, siga.
- Inatenção. Leia em voz alta as letras "S A V E H A A R T" e peça para o paciente apertar sua mão só quando ouvir a letra "A". Conta como erro não apertar no "A" ou apertar em outra letra. Menos de 3 erros: negativo. Com 3 ou mais, siga.
- Nível de consciência alterado. Se o RASS for diferente de 0, positivo para delirium. Se for 0, siga.
- Pensamento desorganizado. Pergunte: uma pedra flutua na água? No mar tem peixe? Um quilo pesa mais que dois quilos? Você pode usar um martelo para bater um prego? Depois, mostre dois dedos e peça "mostre-me esta quantidade de dedos"; em seguida, peça a mesma coisa na outra mão, mostrando três dedos. Com 2 erros ou mais, positivo; com menos de 2, negativo.
Prevenção do delirium na UTI
O guia é claro sobre a ordem das coisas: o primeiro passo é a prevenção, com medidas não farmacológicas.
- Estímulo cognitivo: calendários, relógios, janelas.
- Evitar imobilidade.
- Evitar desidratação e distúrbios hidroeletrolíticos.
- Despertar diário nos casos de sedação contínua.
- Evitar constipação e retenção urinária.
A contenção mecânica, segundo o guia, deve ser feita somente em último caso.
Tratamento farmacológico: para que servem os remédios
O guia faz uma ressalva importante: no delirium hiperativo, o paciente está sujeito a intercorrências como extubação acidental e retirada de dispositivos que podem pôr a vida em risco. O papel principal dos medicamentos é o controle da agitação, e há pouco ou nenhum efeito na redução do tempo de delirium.
| Fármaco | Dose | Observação do guia |
|---|---|---|
| Haloperidol | 5mg EV em bólus, repetir a cada 30 minutos até sedação leve | Em idosos, 1mg já pode ser efetivo |
| Quetiapina | 12,5 a 100 mg até de 8/8 horas | Menos efeitos colaterais que o haloperidol |
| Risperidona | 0,5 a 2mg VO de 12/12 horas | Menos efeitos colaterais que o haloperidol |
| Ziprasidona | 10 a 40mg VO de 12/12 horas | Menos efeitos colaterais que o haloperidol |
Como alternativas ao haloperidol, o guia lista quetiapina, risperidona e ziprasidona (estas duas por via oral), todas com a observação de menos efeitos colaterais que o haloperidol.
Prevenir primeiro, diagnosticar com a CAM-ICU e usar medicação para controlar a agitação, sabendo que ela não encurta o delirium.
Na UTI e fora dela
O capítulo completo de delirium no CTI, com o fluxograma da CAM-ICU, está no guia de terapia intensiva da Plataforma, junto com prescrições, fluxogramas e calculadoras. Fora da UTI, o Saúde Mental na UBS de Bolso 2026 tem um módulo sobre o idoso que aborda demência, delirium e depressão.
Perguntas frequentes
Como aplicar a CAM-ICU?
Com o paciente em RASS acima de -4, avalie quatro itens em sequência: início agudo ou curso flutuante, inatenção (teste das letras SAVEHAART), nível de consciência alterado e pensamento desorganizado. O fluxograma indica em cada passo se o resultado é positivo, negativo ou se deve seguir.
Qual a dose de haloperidol no delirium da UTI?
5mg EV em bólus, repetidos a cada 30 minutos até sedação leve. Em idosos, o guia observa que 1mg já pode ser efetivo.
Antipsicótico reduz o tempo de delirium?
Segundo o guia, há pouco ou nenhum efeito na redução do tempo de delirium. O papel principal dos medicamentos é controlar a agitação e evitar intercorrências, como extubação acidental e retirada de dispositivos.
Quais medidas previnem delirium no paciente crítico?
Estímulo cognitivo com calendários, relógios e janelas; evitar imobilidade, desidratação e distúrbios hidroeletrolíticos; despertar diário na sedação contínua; e evitar constipação e retenção urinária. A contenção mecânica fica para último caso.
Fontes
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