Bronquiolite: tratamento em casa, por que não usar beta-agonista e a prescrição
Resposta rápida
No tratamento da bronquiolite leve, o Pediatria de Bolso indica manejo ambulatorial com sintomáticos e higiene nasal: dipirona em gotas (0,6 x peso em kg) de 6 em 6 horas se febre ou dor (máximo 40 gotas), lavagem nasal com 1 ml de soro 3 vezes ao dia e aspiração se tolerada. Beta-agonista inalatório não tem utilidade comprovada.
Na bronquiolite, a conduta do guia é mais de orientação e sintomáticos do que de prescrição, e uma decisão central é quem pode ser tratado em casa.
O Pediatria de Bolso trata a bronquiolite viral aguda com três blocos: os critérios para tratar em casa, o que não usar e uma prescrição curta de sintomáticos e higiene nasal, acompanhada de orientações para a família.
Bronquiolite: tratamento em casa ou não
O guia descreve que, habitualmente, o tratamento pode ser ambulatorial na criança:
- Sem taquipneia importante.
- Sem esforço respiratório.
- Sem dessaturação.
- Sem apneia prolongada.
- Sem alterações importantes na frequência cardíaca.
- Sem alteração do estado mental.
- Com perfusão periférica adequada.
A condição para a alta é que os sinais de alarme sejam devidamente orientados à família. A criança que não preenche esses critérios não se encaixa no manejo ambulatorial descrito pelo guia.
Beta-agonista inalatório: por que não
O guia é direto: apesar de muito prescritos na prática, os beta-agonistas inalatórios não têm evidência de efeito na bronquiolite. A explicação está no próprio texto: o principal agente da bronquiolite viral aguda é o vírus sincicial respiratório (VSR), e o mecanismo da sibilância nessa doença não se dá por broncoconstrição. Logo, não há utilidade no uso desse medicamento.
Na bronquiolite, o chiado não é broncoconstrição. Por isso o beta-agonista não entra na receita.
O que também não usar
Nas orientações gerais, o guia pede para não utilizar medicamentos para interromper a tosse nem descongestionantes nasais. Essa orientação abre a lista de orientações gerais para a família, antes da observação da ingesta de leite ou líquidos e dos sinais de retorno imediato.
Prescrição pronta
- Dipirona gotas — 1 frasco. Ofertar a dose de gotas, via oral, de 6 em 6 horas, se febre ou dor. Dose: multiplicar 0,6 x kg de peso. Dose máxima de 40 gotas.
- Lavagem nasal com solução fisiológica e seringa — realizar lavagem com 1 ml de soro fisiológico na seringa, 3 vezes ao dia, conforme a necessidade.
- Aspiração nasal — caso tolerada, pode ser tentada com aspiradores nasais, conforme a necessidade.
Para a lavagem nasal, o guia remete à seção de medicamentos, onde estão as indicações e variações de acordo com a idade. Já a aspiração nasal aparece como opcional: só caso tolerada, com aspiradores nasais.
Como calcular a dipirona
A conta do guia é simples: 0,6 multiplicado pelo peso em kg dá o número de gotas por dose, respeitando o teto de 40 gotas.
Orientações para a família
- Não usar medicamentos para interromper a tosse nem descongestionantes nasais.
- Observar a ingesta de leite e/ou líquidos (caso já tenha havido introdução alimentar).
- Retornar imediatamente ao serviço médico em caso de dificuldade para respirar, aumento da velocidade da respiração, diminuição da ingesta de líquidos ou desânimo.
Erros comuns na bronquiolite
- Prescrever beta-agonista inalatório, que o guia considera sem utilidade na bronquiolite.
- Liberar a criança sem orientar os sinais de alarme, condição do guia para o tratamento ambulatorial.
- Usar antitussígeno ou descongestionante nasal.
- Passar do teto da dipirona, de 40 gotas por dose.
No plantão pediátrico
A bronquiolite, com critérios de manejo ambulatorial, prescrição e orientações, está entre as patologias do Pediatria de Bolso 2026, que também traz regras de conversão e cálculo de dose por peso.
Para o atendimento de urgência, o Emergências Pediátricas de Bolso 2026 inclui a bronquiolite no módulo de emergências respiratórias.
Perguntas frequentes
Salbutamol ajuda na bronquiolite?
Segundo o Pediatria de Bolso, os beta-agonistas inalatórios não têm evidência de efeito na bronquiolite. O principal agente é o VSR e a sibilância não se dá por broncoconstrição, então não há utilidade no uso.
Quando a criança com bronquiolite pode ir para casa?
Habitualmente, quando não tem taquipneia importante, esforço respiratório, dessaturação, apneia prolongada, alteração importante da frequência cardíaca ou do estado mental, e tem perfusão periférica adequada. Os sinais de alarme devem ser orientados à família.
Qual a dose de dipirona na bronquiolite?
O guia usa 0,6 x kg de peso em gotas, de 6 em 6 horas, se febre ou dor, com dose máxima de 40 gotas.
Quando a família deve voltar imediatamente?
O guia cita dificuldade para respirar, aumento da velocidade da respiração, diminuição da ingesta de líquidos ou desânimo.
Fontes
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