Compartilhar
Punção venosa periférica no antebraço, com garrote e luvas

Acesso venoso periférico: calibre, sítio e quando trocar

Equipe Médicos do Futuro Redação clínica Publicado em · 5 min de leitura

Resposta rápida

O caderno da Anvisa orienta selecionar o cateter de menor calibre e comprimento que atenda à terapia, porque calibres menores causam menos flebite mecânica e obstruem menos o fluxo sanguíneo. No adulto, as veias de escolha são as das superfícies dorsal e ventral dos antebraços, e as de membros inferiores não devem ser utilizadas a menos que absolutamente necessário. Rotineiramente, o cateter periférico não deve ser trocado em período inferior a 96 horas; em neonatais e pediátricos, não se troca por rotina.

O acesso venoso periférico é o procedimento mais repetido do plantão e um dos menos padronizados. O caderno da Anvisa sobre prevenção de infecção relacionada à assistência transforma isso em recomendações numeradas, com nível de evidência — e várias contrariam o hábito.

Escolher o cateter

A seleção se faz com base no objetivo pretendido, na duração da terapia, na viscosidade do fluido, nos componentes do fluido e nas condições do acesso venoso.

E a regra do calibre é o contrário do reflexo de plantão: devem ser selecionados cateteres de menor calibre e comprimento de cânula. O documento explica por quê — cateteres com menor calibre causam menos flebite mecânica, irritação da parede da veia pela cânula, e provocam menor obstrução do fluxo sanguíneo dentro do vaso. Bom fluxo, por sua vez, ajuda a distribuir os medicamentos e reduz o risco de flebite química.

O que não passa por periférico

  • Infusão contínua de produtos vesicantes.
  • Nutrição parenteral com mais de 10% de dextrose ou aditivos que resultem em osmolaridade final acima de 900 mOsm/L.
  • Qualquer solução com osmolaridade acima de 900 mOsm/L.

Agulha de aço, por sua vez, só deve ser usada para coleta de amostra sanguínea e administração de medicamento em dose única — sem manter o dispositivo no sítio.

Onde puncionar

  • Adultos: as veias de escolha são as das superfícies dorsal e ventral dos antebraços. As veias de membros inferiores não devem ser utilizadas, a menos que absolutamente necessário, pelo risco de embolias e tromboflebites.
  • Pediatria: selecionar o vaso com maior probabilidade de durar toda a terapia prescrita, considerando veias da mão, do antebraço e do braço — evitando a área anticubital.
  • Menores de 3 anos: podem ser consideradas as veias da cabeça; se a criança não caminha, as do pé.
  • Considerar a preferência do paciente e preferir o membro não dominante.
  • Evitar região de flexão, membros com feridas abertas ou infecção, veias já comprometidas por infiltração, flebite ou necrose, e áreas com extravasamento prévio.
  • Em rede venosa difícil ou após tentativas sem sucesso, usar metodologia de visualização — esta com o nível de evidência mais alto do bloco.

Um novo cateter periférico deve ser utilizado a cada tentativa de punção no mesmo paciente. Repuncionar com o mesmo dispositivo não é economia: é recomendação contrariada.

Manutenção

  • Flushing e aspiração para verificar retorno de sangue antes de cada infusão, e flushing antes de cada administração para evitar mistura de medicamentos incompatíveis.
  • Usar cloreto de sódio 0,9% isento de conservantes. Não utilizar água estéril.
  • Não usar soluções em grandes volumes — bags e frascos de soro — como fonte para obter solução de flushing.
  • Avaliar permeabilidade com seringas de 10 mL, que geram baixa pressão no lúmen, e não forçar o flushing: havendo resistência, procurar a causa (clamps fechados, extensores dobrados).
  • Usar técnica de pressão positiva — flushing, fechar o clamp, desconectar a seringa — e considerar o flushing pulsátil (push pause).

Avaliar o sítio

Inspeção visual e palpação sobre o curativo intacto, procurando rubor, edema e drenagem de secreção, valorizando queixas de dor e parestesia. A frequência ideal é a cada quatro horas, ou conforme a criticidade:

  • Terapia intensiva, sedados ou com déficit cognitivo: a cada 1 a 2 horas.
  • Pacientes pediátricos: no mínimo duas vezes por turno.
  • Unidades de internação: uma vez por turno.

Quando remover

  • A necessidade de permanência deve ser avaliada diariamente.
  • Remover tão logo não haja medicamentos endovenosos prescritos e caso o cateter não tenha sido utilizado nas últimas 24 horas.
  • Cateter instalado em emergência, com comprometimento da técnica asséptica, deve ser trocado tão logo quanto possível.
  • Remover na suspeita de contaminação, complicação ou mau funcionamento.
  • Rotineiramente, não trocar em período inferior a 96 horas. Estender esse prazo, ou trocar apenas quando clinicamente indicado, depende da adesão do serviço às boas práticas do documento.
  • Em pacientes neonatais e pediátricos, não trocar o cateter rotineiramente — desde que as boas práticas estejam garantidas.

No plantão

O Guia da UPA traz os procedimentos à beira do leito na sequência em que acontecem, para conferir a técnica sem sair do atendimento.

Perguntas frequentes

De quanto em quanto tempo se troca o acesso venoso periférico?

Rotineiramente, não em período inferior a 96 horas. Estender a frequência de troca, ou trocar só quando clinicamente indicado, depende da adesão do serviço às boas práticas — avaliação frequente do paciente e do sítio, integridade da pele e do vaso, do dispositivo, da cobertura estéril e da estabilização. Em neonatais e pediátricos, não se troca por rotina.

Posso usar o mesmo cateter para uma segunda tentativa de punção?

Não. O documento é explícito: um novo cateter periférico deve ser utilizado a cada tentativa de punção no mesmo paciente.

Fontes

Compartilhar

Leia também