Rastreamento do câncer colorretal: quem rastrear, PSOF anual e quando encaminhar direto
Resposta rápida
No rastreamento do câncer colorretal, o UBS de Bolso inclui adultos de 50 a 85 anos, assintomáticos e sem alto risco, com Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes (PSOF) anual. PSOF negativa mantém o rastreio anual; positiva leva à colonoscopia. Sangramento retal persistente, anemia ferropriva sem causa ou história familiar pedem encaminhamento direto.
O rastreamento do câncer colorretal entra na rotina da UBS em consultas que, muitas vezes, nem foram marcadas por esse motivo: o paciente vem renovar receita, mostrar exame ou tratar outra queixa, e está na faixa etária do rastreio. Ter a conduta clara ajuda a não perder essa oportunidade e, ao mesmo tempo, a não tratar como rastreio quem na verdade precisa de investigação.
O UBS de Bolso organiza o tema em quatro partes: quem rastrear, qual exame pedir e com que frequência, como interpretar o resultado e quando o caso deixa de ser rastreamento. Há ainda um bloco de orientações para a coleta.
Rastreamento do câncer colorretal: quem entra
A população-alvo do guia são adultos entre 50 e 85 anos, assintomáticos e sem fatores de alto risco. Os três critérios precisam estar presentes juntos: idade, ausência de sintomas e ausência de alto risco.
O guia faz uma observação sobre a idade: algumas diretrizes priorizam o rastreamento até os 75 anos. Acima dessa idade, a decisão deve ser individualizada, considerando três pontos:
- Expectativa de vida.
- Comorbidades.
- Preferência do paciente.
Na prática, entre 75 e 85 anos vale conversar com o paciente e registrar no prontuário como a decisão foi tomada.
Qual exame pedir e com que frequência
Na UBS, a conduta de rastreamento é solicitar a Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes (PSOF) anualmente. A frequência anual é parte da conduta: enquanto o resultado vier negativo e o paciente seguir assintomático e na faixa etária, a PSOF é repetida a cada ano. Anote no prontuário a data da última PSOF para saber quando pedir a próxima.
Como interpretar a PSOF
| Resultado | Conduta no guia |
|---|---|
| PSOF negativo | Manter rastreamento anual |
| PSOF positivo | Encaminhar para colonoscopia |
O resultado negativo não encerra o assunto: ele só adia a próxima pesquisa para o ano seguinte. Já o positivo muda o caminho do paciente, que passa a precisar de colonoscopia.
Orientações para a coleta da PSOF
O guia traz orientações de preparo que valem ser entregues por escrito junto com o pedido. Restringir por 72 horas antes da coleta:
- Carne vermelha.
- Peixe.
- Anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs).
E evitar a coleta durante:
- Menstruação.
- Sangramento anorretal ativo.
Na consulta, vale perguntar se o paciente usa AINE por conta própria, já que a restrição inclui esses medicamentos, e combinar a data da coleta fora do período menstrual quando for o caso.
Quando não é rastreamento: encaminhar direto
Esta é a parte que mais importa para não errar. O rastreamento vale para quem não tem queixa. Se o paciente apresenta qualquer um dos achados abaixo, o UBS de Bolso orienta encaminhar diretamente para avaliação especializada, independentemente da idade:
- Sangramento retal persistente.
- Anemia ferropriva sem causa definida.
- Perda ponderal inexplicada.
- Alteração recente do hábito intestinal.
- História familiar de câncer colorretal.
Nesses casos, pedir PSOF e aguardar o resultado não é a conduta do guia. O paciente sai da lógica do rastreio e vai para avaliação especializada, mesmo que esteja fora da faixa de 50 a 85 anos.
Assintomático na faixa etária: PSOF anual. Sintoma ou história familiar: encaminhar, sem esperar exame de rastreio.
Na consulta
O UBS de Bolso 2026 traz o rastreamento do câncer colorretal junto com os demais rastreios, com população-alvo, exame, interpretação, preparo da coleta e critérios de encaminhamento direto. É uma página para abrir no momento de preencher o pedido e conferir se o paciente é mesmo caso de rastreio.
Perguntas frequentes
A partir de que idade rastrear câncer colorretal na UBS?
O UBS de Bolso indica o rastreamento para adultos entre 50 e 85 anos, assintomáticos e sem fatores de alto risco. O guia observa que algumas diretrizes priorizam até os 75 anos. Acima disso, a decisão é individualizada conforme expectativa de vida, comorbidades e preferência do paciente.
Qual exame usar no rastreamento do câncer colorretal?
Na UBS, o guia orienta solicitar a Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes (PSOF) anualmente. Se o resultado for negativo, o rastreamento anual continua. Se for positivo, o paciente é encaminhado para colonoscopia.
O que o paciente deve evitar antes de colher a PSOF?
O guia orienta restringir carne vermelha, peixe e AINEs por 72 horas antes da coleta. A coleta também deve ser evitada durante a menstruação e se houver sangramento anorretal ativo.
Paciente com sangramento retal deve fazer PSOF?
Não como rastreio. Sangramento retal persistente está entre os achados que, segundo o guia, pedem encaminhamento direto para avaliação especializada, independentemente da idade. O mesmo vale para anemia ferropriva sem causa definida, perda ponderal inexplicada, alteração recente do hábito intestinal e história familiar de câncer colorretal.
Fontes
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