Paroníquia (unheiro): tratamento da forma aguda e crônica e quando drenar
Resposta rápida
No tratamento da paroníquia aguda sem abscesso, o Guia de Dermatoses indica banhos de água morna e antissépticos. Com abscesso, a conduta é drenagem cirúrgica do pus, com antibiótico oral, como cefalexina, se houver celulite associada. Na forma crônica, manter as mãos secas, evitar irritantes, usar luvas e tratar com antifúngico tópico e, por vezes, corticoide.
A paroníquia, o popular unheiro, é um processo inflamatório e/ou infeccioso das dobras de tecido ao redor da unha, as pregas ungueais. A pergunta que define a conduta vem antes de qualquer receita: o quadro é agudo ou crônico? E, se for agudo, tem abscesso?
O Guia de Dermatoses 2026 separa o tratamento exatamente por essas perguntas. A paroníquia aguda é geralmente bacteriana; a crônica, geralmente fúngica ou irritativa. Cada uma pede uma abordagem diferente.
Paroníquia aguda e crônica: como diferenciar
| Aguda | Crônica | |
|---|---|---|
| Causa habitual | Geralmente bacteriana | Geralmente fúngica ou irritativa |
| Lesão | Eritema, edema e dor intensa na prega ungueal lateral ou proximal, com possível abscesso com pus | Edema menos pronunciado, ausência de cutícula, episódios de inflamação leve e, por vezes, secreção clara |
| Unha | — | Pode apresentar ondulações |
| Contexto típico | Após pequenos traumas, como roer unhas ou manicure | Exposição constante à umidade, como em trabalhadores domésticos e cozinheiros |
O guia lembra que a paroníquia acontece em qualquer idade. O que muda é o contexto: o pequeno trauma recente aponta para a forma aguda, e a exposição contínua à umidade, para a crônica. Por isso, vale perguntar na anamnese sobre manicure, hábito de roer unhas e ocupação.
Paroníquia aguda sem abscesso: tratamento
Quando não há abscesso, o guia orienta:
- Banhos de água morna;
- Antissépticos.
Não há antibiótico oral nessa situação no guia. A conduta é local.
Paroníquia aguda com abscesso: drenagem
Com abscesso, a conduta muda:
- Drenagem cirúrgica do pus.
- Antibiótico oral, como a cefalexina, se houver celulite associada.
O detalhe importante está na condição do antibiótico. No guia, ele entra quando há celulite associada, e não pelo simples fato de existir abscesso. Para o abscesso em si, a conduta é a drenagem.
Sem abscesso, água morna e antisséptico. Com abscesso, drenar. Antibiótico oral, só se houver celulite associada.
Paroníquia crônica: tratamento
Na forma crônica, o guia combina medidas de proteção das mãos com tratamento tópico:
- Manter as mãos secas;
- Evitar irritantes;
- Usar luvas;
- Tratamento tópico com antifúngicos e, por vezes, corticoides.
As três primeiras medidas conversam diretamente com o contexto da forma crônica, ligada à exposição constante à umidade. Para o paciente que trabalha com as mãos molhadas, o uso de luvas e o cuidado em manter as mãos secas fazem parte do tratamento, junto com o antifúngico tópico.
O que orientar ao paciente
Boa parte da conduta do guia depende do próprio paciente, então vale deixar as orientações por escrito:
- Na forma aguda sem abscesso: como fazer os banhos de água morna e qual antisséptico usar.
- Na forma crônica: manter as mãos secas, usar luvas e evitar irritantes no dia a dia, inclusive no trabalho.
Resumo da conduta por situação
| Situação | Conduta no guia |
|---|---|
| Aguda sem abscesso | Banhos de água morna e antissépticos |
| Aguda com abscesso | Drenagem cirúrgica do pus |
| Aguda com celulite associada | Antibiótico oral, como cefalexina |
| Crônica | Mãos secas, evitar irritantes, luvas, antifúngico tópico e, por vezes, corticoide |
Erros comuns na conduta
- Antibiótico para toda paroníquia: no guia, o antibiótico oral fica reservado para a celulite associada.
- Tratar abscesso sem drenar: com pus, a conduta é a drenagem cirúrgica.
- Tratar a forma crônica só com creme: sem mãos secas, luvas e afastamento de irritantes, a conduta do guia fica incompleta.
- Confundir as formas: dor intensa e abscesso apontam para a aguda; ausência de cutícula e unha com ondulações, para a crônica.
Na consulta
O Guia de Dermatoses 2026 traz a paroníquia com descrição das formas aguda e crônica, faixa etária e conduta para cada situação, para comparar com a lesão do paciente e decidir o tratamento.
Perguntas frequentes
Paroníquia precisa de antibiótico?
Segundo o Guia de Dermatoses, o antibiótico oral, como a cefalexina, entra quando há celulite associada. Na forma aguda sem abscesso, a conduta é banho de água morna e antisséptico.
Quando drenar a paroníquia?
O guia indica drenagem cirúrgica do pus quando a paroníquia aguda tem abscesso. A drenagem é a conduta principal nessa situação.
Como tratar a paroníquia crônica?
O guia orienta manter as mãos secas, evitar irritantes e usar luvas. O tratamento tópico é feito com antifúngicos e, por vezes, corticoides.
Qual a diferença entre paroníquia aguda e crônica?
A aguda é geralmente bacteriana, com eritema, edema e dor intensa, e costuma surgir após pequenos traumas. A crônica é geralmente fúngica ou irritativa, com edema menos pronunciado, ausência de cutícula e relação com exposição constante à umidade.
Fontes
Leia também
Herpes zóster: tratamento com aciclovir ou valaciclovir, dose e analgesia
No tratamento do herpes zóster, a prescrição de UPA usa aciclovir 400 mg, 2 comprimidos de 4/4h omitindo a dose noturna, por 7 dias, com diclofenaco, dipirona SOS e Diprogenta tópico. O Guia de Derma…
· 3 min de leitura
Ler agoraHerpes labial: como reconhecer, evolução da lesão e primoinfecção
No herpes labial, o Guia de Dermatoses 2026 descreve pródromo de formigamento e ardência, seguido de vesículas agrupadas sobre base eritematosa, que evoluem para pústulas, erosões e crostas e cicatri…
· 3 min de leitura
Ler agoraHemangioma infantil: como reconhecer, quando só acompanhar e quando tratar com propranolol
O hemangioma infantil é o tumor mais comum da infância: surge nas primeiras semanas de vida, cresce até 6-12 meses e involui entre 3-7 anos na maioria dos casos. Lesões pequenas, não ulceradas e sem…
· 3 min de leitura
Ler agora