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Profissional de saúde de uniforme branco e azul com estetoscópio no pescoço em corredor hospitalar

Hanseníase: diagnóstico clínico na UBS, classificação PB/MB e poliquimioterapia

Equipe Médicos do Futuro Redação clínica Publicado em · 3 min de leitura

Resposta rápida

No tratamento da hanseníase, o UBS de Bolso classifica como paucibacilar até 5 lesões (6 cartelas) e multibacilar mais de 5 (12 cartelas). O esquema MB associa rifampicina 300 mg, 2 comprimidos 1x/mês, e clofazimina 100 mg, 3 comprimidos 1x/mês, supervisionadas, mais dapsona 100 mg e clofazimina 50 mg, 1 comprimido 1x/dia.

Hanseníase é diagnóstico de atenção primária: começa com o olhar para uma lesão de pele, passa por um teste de sensibilidade e pela palpação de nervos e termina numa classificação que define o tratamento. Tudo isso pode acontecer na UBS.

O UBS de Bolso organiza o tema em cinco passos, da busca ativa à classificação operacional, e traz a poliquimioterapia multibacilar escrita como receita, com a quantidade mensal de cada comprimido e o que é dose supervisionada.

Como o guia organiza o diagnóstico de hanseníase

  1. Busca ativa e avaliação clínica. Investigar ativamente pacientes com lesões de pele suspeitas. Avaliar máculas, placas ou áreas infiltradas, hipo ou anestesia associada e bordas mal definidas ou bem delimitadas.
  2. Teste de sensibilidade. O guia o marca como obrigatório na UBS. Avaliar sensibilidade térmica, dolorosa e tátil, na lesão e ao redor dela. Alteração de sensibilidade é forte suspeita de hanseníase.
  3. Avaliação neurológica periférica. Palpar os nervos periféricos, principalmente o nervo ulnar e o tibial posterior. Procurar espessamento, dor à palpação e déficit motor ou sensitivo.
  4. Suspeita clínica. Lesão de pele com alteração de sensibilidade, ou lesão de pele com espessamento neural, leva a solicitar baciloscopia quando disponível.
  5. Classificação operacional. Contar as lesões cutâneas para definir paucibacilar ou multibacilar.

A baciloscopia é obrigatória para tratar?

Não. O guia é claro: o diagnóstico é essencialmente clínico. A baciloscopia auxilia, mas não é obrigatória para iniciar o tratamento. Ou seja, a falta do exame na unidade não deve atrasar o início da poliquimioterapia quando a clínica fecha o diagnóstico.

Lesão de pele com alteração de sensibilidade ou espessamento neural já é suspeita de hanseníase. A baciloscopia ajuda, mas não segura o tratamento.

Paucibacilar ou multibacilar

ClassificaçãoCritério na UBSDuração
Paucibacilar (PB)Até 5 lesões cutâneas6 cartelas
Multibacilar (MB)Mais de 5 lesões cutâneas12 cartelas

A contagem de lesões, portanto, é o que decide quantas cartelas o paciente vai tomar.

Poliquimioterapia multibacilar: prescrição pronta

O guia traz a receita do esquema MB:

Uso oral

  • Rifampicina 300 mg/comprimido — 2 comprimidos/mês. Tomar 2 comprimidos, via oral, 1x/mês (dose supervisionada).
  • Dapsona 100 mg/comprimido — 30 comprimidos/mês. Tomar 1 comprimido, via oral, 1x/dia.
  • Clofazimina 100 mg/comprimido — 3 comprimidos/mês. Tomar 3 comprimidos, via oral, 1x/mês (dose supervisionada).
  • Clofazimina 50 mg/comprimido — 30 comprimidos/mês. Tomar 1 comprimido, via oral, 1x/dia.

Os quatro itens são associados. A prescrição do guia exibida aqui é a do esquema multibacilar; o esquema paucibacilar não está detalhado no trecho de prescrição.

Dose mensal supervisionada e doses diárias

A receita mistura dois ritmos:

  • Uma vez por mês: rifampicina 300 mg (2 comprimidos) e clofazimina 100 mg (3 comprimidos), como dose supervisionada.
  • Todos os dias: dapsona 100 mg (1 comprimido) e clofazimina 50 mg (1 comprimido).

Repare que existem duas apresentações de clofazimina com usos diferentes: a de 100 mg entra na dose mensal e a de 50 mg é diária. Escrever isso de forma separada na receita evita troca.

Erros comuns no manejo da hanseníase

  • Pular o teste de sensibilidade, que o guia considera obrigatório na UBS.
  • Esquecer a palpação de nervos, principalmente ulnar e tibial posterior.
  • Esperar a baciloscopia para começar o tratamento quando o diagnóstico clínico está feito.
  • Confundir as clofaziminas de 100 mg e de 50 mg na receita.

Na consulta

O diagnóstico em passos e a poliquimioterapia multibacilar estão no UBS de Bolso 2026, na parte de tuberculose e hanseníase, com a receita já escrita com apresentação, quantidade mensal e posologia de cada comprimido.

Perguntas frequentes

Preciso da baciloscopia para iniciar o tratamento da hanseníase?

Não. O UBS de Bolso afirma que o diagnóstico é essencialmente clínico. A baciloscopia é solicitada quando disponível e auxilia, mas não é obrigatória para iniciar o tratamento.

Como diferenciar paucibacilar de multibacilar na UBS?

Pela contagem de lesões cutâneas. Até 5 lesões é paucibacilar, com tratamento de 6 cartelas. Mais de 5 lesões é multibacilar, com 12 cartelas.

Quais doses do esquema multibacilar são supervisionadas?

A rifampicina 300 mg (2 comprimidos) e a clofazimina 100 mg (3 comprimidos), tomadas 1x/mês. Dapsona 100 mg e clofazimina 50 mg são tomadas 1 comprimido 1x/dia.

Quais nervos palpar na suspeita de hanseníase?

O guia destaca o nervo ulnar e o nervo tibial posterior. Avalie espessamento, dor à palpação e déficit motor ou sensitivo.

Fontes

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