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Criança lava os pés em uma bacia de água dentro de casa

Bicho-de-pé: tratamento da tungíase com enucleação ou ivermectina por peso

Equipe Médicos do Futuro Redação clínica Publicado em · 3 min de leitura

Resposta rápida

No tratamento do bicho-de-pé (tungíase), o Guia de Dermatoses prefere a enucleação com agulha estéril ou bisturi, sob anestesia local, quando há lesão única ou poucas lesões. Na infestação múltipla, a 1ª opção é ivermectina 0,2 mg/kg em dose única, repetida em 24 horas; a 2ª é tiabendazol 25-50 mg/kg, máximo 3 g/dia, por 3-5 dias.

Na tungíase, o popular bicho-de-pé, o guia descreve um nódulo branco-amarelado com ponto central escuro, principalmente nos pés. Reconhecida a lesão, a decisão é retirar a pulga com agulha ou tratar por via oral. O Guia de Dermatoses responde com um critério simples, baseado no número de lesões.

Abaixo, como reconhecer, quando escolher cada via e as doses de ivermectina e tiabendazol que o guia traz.

O que é a tungíase

É uma infestação cutânea causada pela pulga Tunga penetrans, o bicho-de-pé, que penetra na pele e deposita ovos.

Como reconhecer a lesão

  • No início, pápula eritematosa.
  • Evolui para nódulo branco-amarelado com ponto central escuro, que corresponde ao orifício respiratório da pulga.
  • Lesão pruriginosa e dolorosa.
  • Localização principal nos pés: espaços interdigitais, região periungueal e planta.
  • Pode apresentar infecção secundária.

Quanto ao perfil, o guia aponta crianças e adolescentes em áreas endêmicas, nas regiões tropicais e subtropicais, especialmente em populações de baixa renda e com precárias condições sanitárias.

Bicho-de-pé: tratamento cirúrgico ou oral?

O guia usa o número de lesões para escolher:

SituaçãoTratamento preferível
Lesão única ou poucas lesõesCirúrgico: enucleação
Infestação múltiplaOral: ivermectina (1ª opção) ou tiabendazol (2ª opção)

Tratamento cirúrgico

Enucleação com agulha estéril ou bisturi para escarificação da lesão, com anestesia local. É a via preferível quando há lesão única ou poucas lesões.

Ivermectina: dose por peso

Primeira opção para infestação múltipla: ivermectina 6 mg, na dose de 0,2 mg/kg, via oral, em dose única, a repetir em 24 horas. O guia também converte a dose em comprimidos de 6 mg por faixa de peso, começando em ½ comprimido para 15-24 kg e 1 comprimido para 25-35 kg. As faixas mais altas da tabela de origem se sobrepõem, por isso não são reproduzidas aqui; confira-as no guia.

Tiabendazol: a segunda opção

Tiabendazol 500 mg, na dose de 25-50 mg/kg, com dose máxima de 3 g/dia, dividido em 3 tomadas, por 3-5 dias.

Ivermectina ou tiabendazol: o que muda

As duas drogas são calculadas por peso, mas o esquema é bem diferente. A ivermectina é dada em dose única de 0,2 mg/kg, repetida em 24 horas. O tiabendazol é dividido em 3 tomadas, durante 3-5 dias, na dose de 25-50 mg/kg, com limite de 3 g/dia. No guia, a ivermectina aparece como 1ª opção e o tiabendazol como 2ª opção, ambos dentro do uso oral, que é o preferível na infestação múltipla.

Como escrever a receita

Com os dados do guia, a prescrição oral fica assim:

Uso oral

  • Ivermectina 6 mg — 0,2 mg/kg, via oral, em dose única. Repetir em 24 horas. Ou, como segunda opção:
  • Tiabendazol 500 mg — 25-50 mg/kg, dividido em 3 tomadas, por 3-5 dias, sem passar de 3 g/dia.

Poucas lesões, agulha estéril e anestesia local. Muitas lesões, ivermectina por peso, repetida em 24 horas.

Erros comuns na conduta

  • Dar ivermectina para uma lesão única. O guia prefere o tratamento cirúrgico quando há lesão única ou poucas lesões.
  • Esquecer a segunda dose de ivermectina. A orientação é repetir em 24 horas.
  • Passar do teto do tiabendazol. A dose máxima do guia é de 3 g/dia, em 3 tomadas.
  • Ignorar a infecção secundária. O guia lembra que a lesão pode apresentar infecção secundária.

Na consulta

A tungíase está no módulo de infecções e infestações do Guia de Dermatoses 2026, com descrição da lesão, critério de escolha entre tratamento cirúrgico e oral e as doses de ivermectina e tiabendazol.

Perguntas frequentes

Quando tratar o bicho-de-pé com remédio oral?

O Guia de Dermatoses prefere o tratamento oral na infestação múltipla. Com lesão única ou poucas lesões, a preferência é a enucleação com agulha estéril ou bisturi, sob anestesia local.

Qual a dose de ivermectina na tungíase?

Ivermectina 0,2 mg/kg, via oral, em dose única, a repetir em 24 horas. Com comprimidos de 6 mg, o guia indica, por exemplo, 1 comprimido para 25-35 kg.

Qual a alternativa à ivermectina?

Tiabendazol 500 mg, 25-50 mg/kg, dividido em 3 tomadas, por 3-5 dias. A dose máxima é de 3 g/dia.

Como é a lesão típica do bicho-de-pé?

Começa como pápula eritematosa e evolui para nódulo branco-amarelado com ponto central escuro, o orifício respiratório da pulga. É pruriginosa e dolorosa, principalmente nos espaços interdigitais, região periungueal e planta.

Fontes

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